Terra

Eloy Moreno · Capítulo 113 de 205

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Terra

Capítulo 113

Felizmente, Frank não tinha partido o queixo, mas perdera um dente. Na Terra, não haveria problema, mas ali era difícil resolver a situação.

Tinha jurado mil vezes à Doutora que não fizera nada; e ela acreditara. Receitara-lhe uns calmantes e aconselhara-lhe repouso.

A Doutora foi ver Miss, que se fechara no quarto e não queria falar com ninguém. Sentia-se culpada por tudo o que se passara. Sentia-se também suja, frágil e indefesa. Chorava, porque, na verdade, não sabia como sentir-se.

A Doutora deitou-se ao seu lado.

 

Veruca não dissera uma palavra desde o incidente, nem sequer publicara nas redes sociais. Permanecia fechada no seu quarto. Tinha vontade de continuar a chorar, mas já não tinha lágrimas. Tinha vontade de gritar, mas não encontrava voz. Tinha vontade de se ir embora dali, mas também não podia.

Andrea, depois do acontecido, preparou dois cafés na cozinha; tomou um deles ali, de uma assentada, e levou o outro para o quarto. Sentou-se na cama, pôs os auriculares nos ouvidos e abriu a tampa do portátil. Sabia que ia ser uma noite muito longa…

O militar decidiu acompanhar Frank até ao quarto e ficar com ele toda a noite. Dormiu no chão, não se importava, era algo a que estava habituado. E sabia que não o podia deixar sozinho.

O Mãozinhas e o Jardineiro, agora aliados, eram os únicos que ainda permaneciam na Sala Comum.

— O Frank? Mas porquê? Não faz sentido — comentava o Jardineiro.

— Também não sei. Talvez tenha alguma coisa que ver com a tal doença que ele disse que tinha na Terra. Se calhar era algum tipo de distúrbio mental, ou então é um predador sexual. Mas não quero saber. Só quero justiça.

— Parece que não procuras isso, mas vingança.

— Estou-me nas tintas para aquilo que lhe chamas. Isto não pode ficar assim. Ou é-te indiferente? Não te importas mesmo com o que lhe aconteceu?

— Sim, sim, claro que me importo. Custa-me tanto quanto a ti. O filho da mãe… — diz este homem, que começa a estar sob a influência do Mãozinhas. — Mas o John ficou com ele.

— Surpreendemo-lo esta noite. Entramos pela calada, apanhamo-lo a dormir e podemos subjugá-lo, com uma faca, por exemplo, e assim apanhar o Frank.

— E o que queres fazer com ele?

— Justiça, só isso, justiça. Obrigá-lo a confessar. Vamos dar-lhe a oportunidade de confessar.

— E se ele admitir que o fez?

— Então, entre todos, decidimos qual é o castigo, mas preciso que confesse.

— Está bem — responde o Jardineiro, sabendo que, na verdade, não está nada bem.

— Hoje à noite, às duas, quando todos estiverem a dormir. Encontramo-nos aqui, nesta sala.

 

Claro que toda esta conversa foi travada entre sussurros, diretamente ao ouvido, para evitar que um microfone captasse as suas palavras, de maneira a evitar que John ficasse a saber tudo acerca das redes sociais.

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