Terra

Eloy Moreno · Capítulo 156 de 205

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Terra

Capítulo 157

— Sim, Nel, é exatamente o que estás a pensar — disse o meu irmão.

Apoiei-me na parede e regressei ao passado, ao momento em que nos damos conta de que um ladrão não consegue visitar tantas casas em tão pouco tempo.

— Sim, infelizmente, é assim. Faço com que a tecnologia ajude a Natureza — disse-me o amigo do meu irmão.

Permaneci em silêncio, fechei os olhos e tentei chorar só para dentro.

— É algo que muito pouca gente sabe. Mas, na realidade, o Strokkur, que acabas de ver, também morreu há vários anos. Não paravam de atirar moedas lá para dentro, o desgraçado não aguentou mais.

Suspirei e abri os olhos.

— Já viste bem tudo o que está montado à volta dele? Reparaste no hotel de luxo? No café, na loja de recordações, no restaurante, nos apartamentos que estão a ser construídos? Há demasiado dinheiro investido aqui. Afinal, o que custa instalar uma bomba para lançar um jato de água…? Olha, vou mostrar-te uma coisa.

Aproximou-se do painel de controlo e definiu alguns parâmetros.

— Aumentei agora o jato para mais dois metros de altura. Espera um minuto, e vais ver a alegria das pessoas.

Ficámos a olhar para a contagem decrescente no ecrã.

No minuto certo, o géiser explodiu com uma potência impressionante.

As pessoas começaram a gritar de alegria.

— Hoje, a loja vai vender mais T-shirts, mais ímanes, mais recordações…

Voltámos a subir e saímos da pequena barraca de madeira.

— Vamos beber um café a um lugar menos concorrido, para me contarem o motivo da vossa visita.

Dirigimo-nos ao hotel, que se encontrava a alguns metros. Ficámos no pequeno café situado no rés do chão.

 

— Nem vos disse nada. Que falta de educação. Lamento imenso pelo vosso pai. Mas teve coragem de fazer aquilo em direto.

— Bem… na verdade, é esse o motivo pelo qual estamos aqui. É uma história um pouco longa, mas, resumidamente… Depois da sua morte, deixou-nos um embrulho, para que pudéssemos chegar ao fim de um jogo. Era uma coisa da nossa infância, de família. — Olhou para mim. — Escolheu o jogo das chaves.

— Muito bem. Sempre adorei esse jogo.

— Fomos avançando e temos uma chave que sabemos capaz de abrir a porta de uma casa, só que não sabemos onde fica essa casa.

— Não estou a compreender.

— Lembras-te do pai da Veruca, certo?

— Sim, claro. Pobre família…

— Depois da morte da Veruca, veio viver para a Islândia, para uma casa. Viemos à procura dessa casa.

— Lembro-me do que se passou. Lembro-me de que esse homem praticamente enlouqueceu. As redes sociais acabaram com ele, e ele, por fim, veio para cá. Acho que entrou num programa de proteção de testemunhas que existia dentro da própria empresa, ou qualquer coisa do género. Mas não faço ideia de onde vivia. Constava que era lá para norte.

— Bem, seja como for, esta é a chave, para o caso de te fazer lembrar qualquer coisa ou de saberes se… — disse o meu irmão, pousando-a em cima da mesa.

Nesse momento, o amigo pegou na chave.

— Que estranho! — disse.

— O que foi?

— O símbolo do porta-chaves. Há muito tempo que não via um igual.

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