Terra
Capítulo 117
Deitei-me na cama, a olhar para o teto, a observar o vazio. A tentar reunir toda a informação que tínhamos em nosso poder. Frank, Andrea e, agora, um homem que fora trabalhar para a Islândia e morrera. Que relação havia entre estas três pessoas? Faltava-me mais uma peça, aquela que o meu irmão procurava neste preciso momento. Com quem se parecia o marido daquela mulher? Porque lhe tinham dado uma indemnização tão elevada? Toquei de novo no anel. Teriam estas pessoas alguma coisa que ver com a lista?
Escrevi num papel todas as relações possíveis entre elas, procurei novos padrões, mas não descobri nada. Restava-nos apenas continuar a jogar.
De repente, ocorreu-me outra pergunta: Onde conseguia o meu irmão obter a informação? A quem iria perguntar sobre a história do programa dos parecidos?
Foi nesse momento que chegou uma mensagem ao meu telemóvel. Era ele: «Descobri.» Mais nada.
Levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho. Lavei a cara e vi-me ao espelho. E juro que, por um instante, vi o seu rosto, o mesmo que, quando era pequena, aparecia atrás de mim para me pregar um susto.
Fui até ao quarto dele.
— Descobriste?
— Sim, bem, foi um pouco difícil, não tinha as ferramentas necessárias para aceder. Tive de pedir ajuda.
— Ajuda? A quem?
— A uma pessoa que cobra muito caro para fazer o seu trabalho. A pessoas que nem sequer conheço.
— Um hacker?
— Na verdade, vários, um grupo organizado. Envio um pedido, eles dizem-me a quantia e indicam-me uma conta-corrente. Eu pago, eles pesquisam. Tão simples quanto isto.
— E ilegal também.
— Enfim…
Ficámos em silêncio, até ele voltar a falar.
— A única dificuldade que tiveram foi em aceder ao sistema. Numa hora, enviaram-me toda a informação. Nem imaginas com quem era parecido… com oitenta e quatro por cento de semelhança.
— Chuta.
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