Terra

Eloy Moreno · Capítulo 117 de 205

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Terra

Capítulo 117

Deitei-me na cama, a olhar para o teto, a observar o vazio. A tentar reunir toda a informação que tínhamos em nosso poder. Frank, Andrea e, agora, um homem que fora trabalhar para a Islândia e morrera. Que relação havia entre estas três pessoas? Faltava-me mais uma peça, aquela que o meu irmão procurava neste preciso momento. Com quem se parecia o marido daquela mulher? Porque lhe tinham dado uma indemnização tão elevada? Toquei de novo no anel. Teriam estas pessoas alguma coisa que ver com a lista?

Escrevi num papel todas as relações possíveis entre elas, procurei novos padrões, mas não descobri nada. Restava-nos apenas continuar a jogar.

De repente, ocorreu-me outra pergunta: Onde conseguia o meu irmão obter a informação? A quem iria perguntar sobre a história do programa dos parecidos?

Foi nesse momento que chegou uma mensagem ao meu telemóvel. Era ele: «Descobri.» Mais nada.

Levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho. Lavei a cara e vi-me ao espelho. E juro que, por um instante, vi o seu rosto, o mesmo que, quando era pequena, aparecia atrás de mim para me pregar um susto.

Fui até ao quarto dele.

— Descobriste?

— Sim, bem, foi um pouco difícil, não tinha as ferramentas necessárias para aceder. Tive de pedir ajuda.

— Ajuda? A quem?

— A uma pessoa que cobra muito caro para fazer o seu trabalho. A pessoas que nem sequer conheço.

— Um hacker?

— Na verdade, vários, um grupo organizado. Envio um pedido, eles dizem-me a quantia e indicam-me uma conta-corrente. Eu pago, eles pesquisam. Tão simples quanto isto.

— E ilegal também.

— Enfim…

Ficámos em silêncio, até ele voltar a falar.

— A única dificuldade que tiveram foi em aceder ao sistema. Numa hora, enviaram-me toda a informação. Nem imaginas com quem era parecido… com oitenta e quatro por cento de semelhança.

— Chuta.

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