Terra

Eloy Moreno · Capítulo 39 de 205

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Terra

Capítulo 38

Acabava de fazer uma promessa ao meu irmão, o que, na minha família, era algo para cumprir.

Parecia estúpido continuar com aquele jogo das chaves, quando eu própria sabia que era impossível tornar realidade o desejo que pedi ao meu pai. Foi uma piada; na verdade, uma vingança. Estava assustada e pensei em algo que nunca pudesse cumprir.

Apesar da minha tenra idade, naqueles tempos, a nossa relação já estava arruinada; o seu temperamento autoritário começou a substituir o carinho. Só precisava de nós para as suas experiências, para os seus concursos, para fazer testes de câmara; e quase não nos abraçava, e quase nunca brincávamos a salvar o mundo juntos. Sim, talvez nos amasse, à sua maneira, mas aquilo que nos dava não era amor.

A promessa que fiz ao meu irmão teve que ver com o anel, com todas as horas que investira a investigar o que parecia um eterno rumor: uma lista que parecia existir, mas que ninguém vira. Uma empresa que vendia anéis, praticamente sem valor monetário, por cem milhões de dólares, uma empresa que não admitia um comprador qualquer. Quando alguém queria adquirir um, tinha de dizer se era para si ou para oferecer. Em ambos os casos, a empresa analisava o destinatário e, por fim, decidia se vendia ou não.

Quase não havia informação disponível na Internet, e se, de repente, alguém publicava um dado sobre o assunto, desaparecia numa questão de minutos.

O meu pai sabia que eu não ia continuar o jogo da cabana apenas porque ele assim desejava, sabia que era preciso mais para me convencer, e dera-mo. Optei por não dizer nada ao meu irmão acerca do anel. Não tinha a certeza de que ele e o meu pai não tivessem planeado tudo juntos.

 

No dia seguinte, quando cheguei ao trabalho, fui ter com o meu chefe para lhe pedir uns dias livres. De início, opôs-se, visto que estávamos mergulhados em várias investigações importantes e não queria prescindir de ninguém.

— Desculpa, Nel. Terá de ser daqui a algum tempo. Sabes que temos entre mãos vários casos demasiado delicados. Não é a melhor altura — disse-me.

— Compreendo, mas, acredita, nenhum desses casos vai conseguir superar este — respondi, a sorrir.

— Bem, então terás de me convencer, de me dar uma razão muito boa — replicou, enquanto cruzava os braços e me olhava fixamente.

Foi então que pousei o anel em cima da mesa.

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