Terra

Eloy Moreno · Capítulo 102 de 205

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Capítulo 102

A notícia chegou também à colónia, com alguns minutos de atraso. De início, ninguém disse nada. Preferiram ignorar o assunto. Mas havia algo estranho no ambiente, como se, nesse dia, as horas nunca mais passassem, com a sensação de incómodo colando-se a cada recanto das instalações.

Miss reparou que ninguém se dirigia a ela, e, quando isso acontecia, o nervosismo entorpecia as palavras. Talvez por esse motivo, porque a situação não podia continuar como estava, mesmo antes de começarem a jantar, quando se encontravam todos sentados, decidiu falar.

— Bem — começou, enervada —, queria esclarecer convosco o que foi publicado nas redes sociais. Acho que vos devo uma explicação.

— A mim, não deves explicação nenhuma — interrompeu-a John, levantando-se da cadeira. — Na verdade, não quero saber nada, absolutamente nada. Todos viemos para aqui para começar de novo. Todos temos um passado do qual talvez não nos orgulhemos. Do que me orgulho, sim, é do que estamos a construir agora, no presente. Estou orgulhoso de todos vós, e de ti também.

E, sem mais dizer, aproximou-se de Miss e deu-lhe um abraço.

Miss fechou os olhos com força, para evitar que as lágrimas corressem, e apertou John com a mesma intensidade. Nesse refúgio de sensações, permitiu-se oferecer uma amnistia ao seu coração.

— Eu também não preciso de explicações — acrescentou, nesse instante, a Doutora, enquanto se aproximava de Miss. Pôs-se à sua frente, deu-lhe um abraço e um beijo infindável na face.

— Nem eu — afirmou Frank.

Assim, um após outro, todos se aproximaram dela.

Todos, exceto Andrea, que disse apenas quatro palavras enquanto continuava a escrever no teclado do computador: «O passado, passado é.»

O problema foi que, poucos dias depois, esse passado quase destruiu o presente.

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