Terra
Capítulo 164
Três dias depois do nascimento de Terra, em plena noite, um homem sai de uma pequena casa perdida algures no Norte da Islândia. Não vai sozinho. Uma mulher e o medo acompanham-no.
Ambos olham em volta, tentando fazer o menor barulho possível a cada movimento, tentando mergulhar através do silêncio. Alguns cães ladram.
Sabe que não o deve fazer. Há dois dias, um homem fez-lhe uma promessa: «Se o fizeres, mato-te, juro-te, mato os dois.»
Mas também sabe que, se algum momento houver que seja acertado, é agora, exatamente quando toda a atenção do mundo está centrada no nascimento de uma menina, quando, depois da discussão, ele não estiver à espera disso.
Silenciosos, ambos entram num carro que, em alguns minutos, começará a atravessar a neve e a lama, um carro cujos faróis iluminarão a noite eterna de uma ilha que os manteve escondidos, envoltos no seu frio. Pensam que, ocultos no meio da névoa, ninguém os descobrirá.
O silêncio é a sua conversa; o medo, o seu caminho.
O carro continua a avançar, muito devagar, através de uma cortina de fumo branco que cobre todo o ambiente circundante, contornando pedras, água e lama, com um destino tão incerto quanto perigoso.
Ela tentou convencê-lo de que as ameaças não serão reais, de que é um homem rico, muito rico, de que o dinheiro protege tudo, de que não irá acontecer nada. Ele sabe que William Miller cumpre sempre as suas promessas.
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