Terra
Capítulo 31
Um anel de prata, liso por fora e com duas inscrições na face interior: um símbolo com a marca eXo e um código numérico; era esse o terceiro objeto que se encontrava na minha caixa.
Durante os meses em que o jornal investigara a existência daqueles anéis, nunca tínhamos conseguido ver um verdadeiro, e talvez o tivesse ali agora, nas minhas mãos.
Dizia-se que o código era a representação numérica de uma impressão digital. Para verificar se o anel nos correspondia, tinha de se aceder à Internet, introduzir o código e encostar o dedo à câmara, para que captasse a marca. Feito isto, só podiam aparecer duas mensagens: um X vermelho, que indicava que o anel era falso ou que não nos pertencia; ou um OK, o que queria dizer que era verdadeiro, que era nosso e que estávamos na lista eXo.
Mas que significava estar nessa lista?
Ninguém sabia. Ao longo dos últimos anos, fora esse o mistério que qualquer jornalista desejara resolver. Também existia a possibilidade de se tratar, simplesmente, da campanha publicitária mais rentável da História. Na verdade, a empresa eXo tinha muito poucos produtos à venda, quase todos joias de gama muito elevada. Mas havia um que se destacava dos outros: um anel de prata cujo valor de mercado não devia exceder os vinte milhões, mas que, em contrapartida, se vendia na sua página da Internet por cem milhões, e não a qualquer um.
Fiquei a observá-lo, enquanto brincava com ele entre os dedos. Estava nervosa.
Abri o portátil e acedi à página oficial da eXo.
Tenho de reconhecer que as mãos me tremeram ao escrever o código. Premi o botão para ativar a câmara e mostrei-lhe a minha impressão digital.
Passados poucos segundos, apareceu um OK no ecrã. Estava na lista eXo.
Não sabia que lista era essa, nem o que significava, mas lá estava eu. Permaneci em silêncio, quase às escuras.
Deitei-me no sofá, com o anel na mão.
Silêncio. Silêncio na minha casa, na minha mente.
Nesse momento, quando o meu olhar se deteve num ponto qualquer do teto, o telemóvel que se encontrava na caixa começou a tocar. O susto fez-me saltar do sofá. Esquecera-me completamente dele.
Peguei-lhe com tal nervosismo, que me caiu ao chão.
Voltei a pegar-lhe e olhei para o ecrã: número não identificado.
Fiquei a observá-lo durante alguns segundos, sem saber que fazer, se deixá-lo tocar ou descobrir se, do outro lado, seria um morto a atender.
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