Terra
Capítulo 69
— Onde vive? — perguntei ao meu irmão.
— Em Aytenfort. Diz-te alguma coisa?
— Na verdade, não.
— Nota-se que não eras grande seguidora do programa. De certeza que, se fizéssemos esta pergunta a qualquer fã, ele te respondia de imediato. Foi o sítio onde o Frank nasceu.
— O pediatra?
— Sim, o próprio. A coincidência é curiosa. Acho que é uma pequena povoação. Deve, com certeza, haver uma ligação.
— Um filho? — respondi.
A verdade é que, ao longo do programa, tinham-se gerado numerosos rumores sobre os concorrentes, e um dos que mais força tivera fora de que um dos escolhidos pudesse ter um filho secreto na Terra, uma criança que, se tivesse passado à esfera pública, teria sido um peso para a sua seleção.
— Bem, é possível — replicou. — Talvez não lhe conviesse revelá-lo. Não teria sido visto com bons olhos. Na verdade, estive a ver, e as transferências começaram no mesmo mês em que passou a fazer parte dos trinta últimos escolhidos. Achas que terá deixado um filho na Terra?
— Também pode ser um familiar. Ou um paciente. Não é pediatra? Talvez uma criança com uma doença para a qual fosse preciso dinheiro.
— Bem, parece que temos de ir ver de que se trata.
— A essa cidade?
— Sim, suponho que sim. Temos uma chave para usar. Talvez se encontre lá a porta, a caixa, ou seja o que for que possamos abrir para continuar o jogo. Além disso, não é muito longe daqui. São apenas umas seis horas de carro.
— Uma insignificância… — respondi, tentando sorrir.
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