Terra
Capítulo 43
Concorrente Número 5
— Vamos ao quinto. Isto está cada vez mais emocionante. Quem será? Quem será?
Milhões de olhos observavam o programa que ia decidir o futuro de quatro homens e quatro mulheres. A apresentadora olhou para dentro do envelope e sorriu.
— Bem… talvez este homem seja uma surpresa para grande parte do público, embora, para muitos outros espectadores, tenha sido um candidato necessário.
— Acho que já temos uma pista, não é verdade, Alison?
— Sim, Steven. Acho que já disse demasiado. Vamos lá.
O palco escureceu, e um rosto apareceu no ecrã. Desta vez, o aplauso não foi tão intenso como antes. Não era um dos favoritos, mas aparecia nos primeiros lugares quando se faziam listas dos candidatos mais úteis. Também era o mais velho de todos: tinha quarenta e cinco anos.
John Scott
Concorrente n.º 12 441
45 anos
Militar
É facto que nunca se definiu um limite de idade na pré-seleção, mas a verdade foi que a organização privilegiou a juventude; com efeito, entre os trinta últimos escolhidos, a média de idades encontrava-se nos vinte e oito anos. Mas este candidato era especial em muitos sentidos: de entre os oito vencedores, foi uma das duas pessoas que não se apresentaram a concurso de forma voluntária.
Também tinha um privilégio exclusivo que nenhum dos outros concorrentes conhecia, um privilégio que tinha de manter oculto o tempo inteiro, se fosse necessário.
Na realidade, a organização precisava dele ali. Era um militar com experiência em combate, um homem que participara como mediador em muitos conflitos internacionais. Uma pessoa capaz de manter a calma, mesmo nas circunstâncias mais extremas. Alguém que testemunhara um pouco de tudo e, naturalmente, alguém que sabia calar tudo.
O seu metro e noventa de estatura e os seus cento e dez quilos de músculo eram suficientes para impor ordem em qualquer situação, mais ainda numa pequena colónia de apenas oito pessoas, uma colónia onde não havia polícia, nem juízes, nem advogados…
Muitos sociólogos tinham avisado que, num lugar onde ninguém aplicasse as leis, o ser humano tinha muitas possibilidades de se autodestruir.
O seu vídeo de apresentação foi também um dos mais breves. Falou dos motivos pelos quais queria ir para Marte, acima de tudo, para viver novas experiências; referiu-se vagamente ao seu passado, embora quase tudo fosse segredo de Estado, e, por fim, apresentaram várias imagens do seu dia a dia. Um dos pormenores que chamava a atenção mal se olhava para ele era a grande tatuagem que tinha num dos braços musculados, no direito: a cabeça de uma cobra nascia na parte de cima da mão, e, depois de lhe percorrer todo o braço, a cauda terminava precisamente no bíceps, muito perto do ombro. Uma tatuagem que, no futuro, ia ter de esconder.
OceanofPDF.com