Terra

Eloy Moreno · Capítulo 18 de 205

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Terra

Capítulo 17

O corpo magro do meu pai mantinha-se, orgulhoso, em palco, de pé, com um semblante tranquilo, de olhos fechados e com aquele pequeno foco a apontar para ele.

O público começou a levantar-se dos seus lugares, sem parar de aplaudir.

O meu pai abriu lentamente os olhos, olhou para mim e sorriu.

Durante alguns segundos, imaginei que estávamos sozinhos, eu e ele, como naquelas manhãs em que vinha à minha cama e me acordava, fazendo-me festas nos pés; aquelas manhãs em que, ao abrir os olhos, a primeira coisa que via era o seu abraço.

O público continuava a aplaudir.

Um, dois, três… cinco minutos. Foi passados quase dez minutos de aplausos que, aos poucos, como uma tempestade a afastar-se, o silêncio começou a instalar-se.

Um silêncio total.

Nesse momento, o meu pai tirou uma pequena pistola do bolso, apontou-a à cabeça e disparou.

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