Terra

Eloy Moreno · Capítulo 137 de 205

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Terra

Capítulo 137

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A mulher levantou-se lentamente e desapareceu no corredor. Ficámos à espera dela na sala. Passados poucos minutos, voltou com uma pequena caixa na mão.

— Esta foi a única coisa que me enviaram do meu marido quando ele morreu — disse, enquanto entregava a caixa ao meu irmão.

Havia um símbolo estranho gravado na tampa: era um retângulo cujo interior continha mais três símbolos, três riscos com um círculo no meio. Abriu-a devagar, tendo o cuidado de não a desfazer, e descobrimos lá dentro uma chave num chaveiro com aquele mesmo símbolo.

— Esta chave é da casa da Islândia? — perguntei.

— Sim, da casa da Islândia onde o meu marido esteve a viver. Deixou-ma em testamento.

— E nunca lá quis ir? — voltei a perguntar.

— Lá? Onde, segundo as minhas fontes, partilhou a existência com mulheres mais novas, mais bonitas e, sem dúvida, mais promíscuas do que eu? Não, nunca lá irei. O que não compreendo é porque ma deixou. Nunca foi um homem cruel, por isso, não compreendo…

Ficou a pensar.

— Talvez a chave não fosse para mim. Talvez alguém ma tenha enviado para que um dia vo-la entregasse.

— E sabe a morada da casa?

— Não, não quis saber. Enfiei a chave dentro de uma gaveta e tinha-me esquecido dela, até hoje. É vossa — disse-nos, fazendo um gesto com as mãos que indicava que não queria saber dela.

— Muito obrigado… — respondeu o meu irmão. — Segundo os padrões que estamos a seguir, é muito possível que o nosso próximo destino seja a Islândia.

— Gostava de vos poder ajudar mais.

— Acho que já nos ajudou muito — disse o meu irmão, sorrindo-lhe com o olhar.

Acabámos de jantar, estivemos mais uma hora a conversar com ela e, por fim, despedimo-nos. A mulher deu um abraço ao meu irmão, mas, a mim, estendeu-me a mão. Nesse momento, não consegui aguentar, a minha faceta de jornalista venceu.

— Desculpe, mas posso perguntar-lhe que anel é esse que traz no dedo, o prateado?

— Ah, sim, a lista eXo… Mas este é diferente do teu, querida. — Surpreendeu-me a mudança de tom. — Este é um dos três primeiros que foram feitos. Foi a partir destes que todos os outros foram criados. Este era do meu marido. Ofereceu-mo antes de ir para a Islândia, antes de tudo o que aconteceu com a Vera.

— Então, sabe o que é? — perguntei-lhe, entusiasmada. — Sabe para que servem esses anéis?

— Sim, claro que sei.

Ficámos em silêncio, a olhar uma para a outra. Esperei que me dissesse mais alguma coisa, estive prestes a exigir-lho verbalmente, mas, pelo seu rosto, adivinhei que não ia falar do assunto.

Tinha ali, à minha frente, alguém que sabia a resposta para todas as minhas perguntas, mas, em contrapartida, eu não lhe podia arrancar qualquer informação.

Despediu-se de mim com o olhar.

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