Terra
Capítulo 131
O corpo aproxima-se lentamente da cama, inclina a cabeça e dá-lhe um beijo.
Vira costas e sai do quarto.
As câmaras do corredor continuam a ativar-se, uma após outra, perseguindo uma sombra anónima que parece não saber para onde vai.
Na Terra, as audiências são à escala mundial. Não há ninguém que consiga dormir. Todos estão presos aos seus dispositivos eletrónicos, querem testemunhar o que se está a passar. Nas redes sociais, perguntam-se por que motivo a organização, por esta altura, ainda não enviou um sinal de emergência à Centinel, para que façam alguma coisa. Talvez, dizem alguns, porque é da Centinel que o perigo vem.
O corpo chega à Sala Comum. Permanece ali por alguns instantes, olhando em volta.
E é aí, nessa sala que tem mais luz, que o público deteta algo estranho: a compleição é diferente.
O corpo dirige-se agora à porta exterior.
Talvez se tenha arrependido, publicam as redes sociais.
Chega à pequena divisão onde se encontram os fatos e veste um deles. Parece que se vai embora. Um suspiro de alívio percorre a Terra.
Com o fato vestido, o corpo marca o código de saída e abre a primeira comporta de isolamento.
Fecha essa e abre a seguinte.
Fecha depois a segunda e sai.
Ativa-se então a câmara que se encontra no exterior, mais precisamente, a três metros da porta. Uma câmara capaz de captar o corpo, mas incapaz de ver as lágrimas que brotam no interior do capacete.
O corpo afasta-se cerca de dez metros da porta e detém-se, no meio do nada.
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