Terra

Eloy Moreno · Capítulo 11 de 205

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Terra

Capítulo 10

— Sim, é tudo mentira… — afirmou, depois da interrupção. — E sabem o que é melhor do que a mentira? O que não tem limites. Quando se experimentou a dependência da mentira e não há maneira de a deter, esta reproduz-se e cresce… porque é sempre possível criar uma mentira maior do que a anterior… — Voltou a tossir.

Silêncio.

— Esse é o grande problema da televisão: o poder. Porque o poder faz esquecer o que é justo, o que é correto… o poder só nos quer ver crescer, a nós.

Voltou a parar, talvez demasiadas frases seguidas… talvez demasiadas verdades juntas. Tossiu várias vezes e tentou continuar sem desabar ali mesmo.

— E depois vem o dia em que percebemos que podemos fazer o que quisermos com as pessoas, que temos rebanhos de pessoas sentadas no sofá, prontas a engolir qualquer ideia que lhes quisermos enfiar no cérebro. Nem todas, claro. Ainda há algumas que preferem ler um livro ou ir brincar com os filhos… Mas são poucas, muito poucas… As que interessam são as outras, a turba que nos tornou ricos. Sim, claro, sobretudo a mim, mas a vocês também, a todos os que aqui estão — disse, levantando o braço devagar e apontando com um dedo para o público.

 

Brincar com os filhos, que ironia ser o meu pai a usar esta frase. Sim, ele brincou comigo, brincou de duas maneiras: durante os meus primeiros anos, como um pai, e, durante os anos seguintes, como um animal de estimação. Um animal de estimação que passou com demasiada rapidez de abanar a cauda a arreganhar os dentes.

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