Terra
Capítulo 107
— Órfão? Não, não, nada disso — respondeu a mulher.
— Pensei que pudesse ser um padrão… — disse, olhando para o meu irmão, na esperança de que ele se lembrasse de algo melhor.
— Eu também não sei por onde continuar — reconheceu, olhando para a mulher. — Lembra-se de algum lugar onde houvesse uma porta para abrir, uma caixa-forte, um baú…?
— Deixe-me pensar…
Permanecemos alguns minutos em silêncio, mas não soube dizer-nos mais nada. Levantei-me e comecei a dar voltas por ali, tentando pensar em algum pormenor em que não tivéssemos reparado.
— Tem de haver mais qualquer coisa, algo que nos está a escapar… — continuei, falando para comigo, mas em voz alta.
Ao rever todos os dados que tínhamos reunido, percebi que não sabíamos como chegara à empresa do nosso pai. Tentei puxar por esse fio.
— Vamos lá ver… a senhora diz que o seu marido teve muitos trabalhos.
— Sim, ele fazia qualquer coisa. Principalmente, nas obras. Sabia fazer de tudo.
— E como conseguiu a empresa do nosso pai entrar em contacto com o seu marido?
— Não sei. Na verdade, ligaram-lhe através de uma agência de trabalho temporário.
— Há aqui algo estranho… Não compreendo como, sem terem uma relação anterior, contactam de repente o seu marido para ir trabalhar para a Islândia. De certeza que não se cruzou com a empresa do meu pai antes disso? Alguma entrevista, algum teste a que se tenha apresentado…
Nesse momento, vi que algo mudava no rosto da mulher, vi o momento por que todos os jornalistas aguardavam.
— Bem, agora, que fala nisso, houve uma coisa. Uns meses antes de ir para a Islândia, o meu marido apresentou-se numas audições que andavam a fazer à procura de figurantes. Era bonito, alto, forte. Não era a primeira vez que trabalhava na área, e pagavam bem.
— Lembra-se do nome do casting ou de quem o organizava?
— Sim, isso mesmo. Era uma espécie de casting. O meu marido disse-me que era qualquer coisa para descobrir pessoas parecidas com gente famosa, ou coisa do género. Para fazerem de duplos em certos filmes.
— O programa dos parecidos! — gritou o meu irmão. — Pode ser isso.
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