Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Doenças inalatórias – revisão
Embora a doença possa envolver qualquer região dos pulmões, bronquiectasia e redução de volume no lobo médio direito são muito mais proeminentes.
Tratamento
A terapia antimicrobiana foi determinada em 2007 pelas diretrizes da ATS. Para as espécies de crescimento lento (M. kansasii, MAC, M. xenopi e assim por diante), protocolos compostos por claritromicina (ou azitromicina), RIF e EMB são comumente utilizados inicialmente no caso de uma doença mais extensa.
Entretanto, para as bactérias de crescimento rápido mais comuns, como M. abscessus e M. chelonae, protocolos endovenosos como imipenem ou cefoxitina e amicacina ou toramicina parecem mais eficazes.
Para infecções causadas por espécies de micobactérias de crescimento lento, normalmente recomenda-se uma terapia com duração de 12 a 18 meses, com objetivo de cura. Entretanto, as micobactérias de crescimento rápido tendem a recorrer, e a estratégia inclui vários meses de tratamento supressor intenso, com antecipação da repetição do tratamento.
Doenças inalatórias – revisão
FIGURA 4-103
A inalação de poeiras e gases nocivos pelos pulmões pode resultar em pouco dano ou reação se os agentes apresentarem baixa atividade biológica ou se a exposição for mínima, mas, por outro lado, os resultados podem ser lesões, processos inflamatórios ou fibróticos devastadores se o agente for potente e carreado por altas doses ou exposição prolongada. Virtualmente, qualquer fumaça, partícula ou fibra inalada pode causar uma resposta, desde que o material seja biologicamente ativo e em dose e exposição suficientes.
A exposição aos pós minerais inorgânicos (p. ex., sílica, asbesto, carvão e silicatos mistos) resulta em doenças pulmonares crônicas caracterizadas por fibrose e distorção do tecido que produz dano respiratório progressivo. Em geral, as doenças têm progressão lenta, podendo levar décadas desde a primeira exposição até os sintomas clínicos. A extensão da doença depende da interação entre a intensidade (carga de partículas aerotransportada), a duração (dose cumulativa) e o tempo desde o início da exposição. A chave para o controle dessas doenças é a prevenção pela redução dos níveis de poeira existente no ar dos locais de trabalho.
Muitas doenças pulmonares causadas por exposição inalatória a partículas orgânicas ou metálicas resultam de uma resposta imune específica. A pneumonite de hipersensibilidade (protótipo, doença do pulmão do fazendeiro), a doença de exposição crônica ao berílio, a pneumoconiose pelo cobalto (doenças dos metais pesados) e outras somente aparecem após a sensibilização e o desenvolvimento de respostas imunes mediadas por células e humores altamente imunoespecíficos. Em contraste com as pneumoconioses causadas por poeiras e fibras inorgânicas, essas doenças não necessitam de um alto nível de exposição para que sejam desencadeadas. Após a sensibilização, os indivíduos podem responder intensamente a níveis ambientais muito baixos ao agente agressor e mostrar-se livres de sintomas se a exposição puder ser evitada. Há uma grande variação entre os indivíduos, e somente uma minoria daqueles expostos pode desenvolver a doença. Em alguns casos (p. ex., berílio), a doença pode progredir por anos após o término da exposição. Breves episódios da doença causada por respostas imunes aos materiais inalados podem dissipar-se e não deixar dano pulmonar permanente, mas episódios repetidos ou exposição prolongada podem resultar em fibrose de estágio final e severo dano respiratório.
Gases e fumaças tóxicas, fumaças de incêndios e produtos químicos voláteis utilizados em processos industriais podem causar lesão pulmonar quando inalados. Na maioria dos casos, essas reações são agudas, ocorrendo entre alguns segundos a 48 horas após a inalação. Se a lesão for leve, pode-se esperar a resolução completa, sem dano permanente; se a lesão for mais severa, o reparo pode ser incompleto e envolver a formação de tecido cicatricial. A velocidade e a extensão da lesão pelos gases inalados dependem da reatividade biológica do produto químico e de sua solubilidade no muco que reveste os pulmões. Por exemplo, enquanto compostos altamente solúveis como o ácido clorídrico (HCl) se dissolvem prontamente no muco e causam lesão primária nas vias aéreas superiores e nas vias aéreas brônquicas maiores, compostos relativamente menos solúveis, como o dióxido de nitrogênio (NO ), produzem dano primário no 2 nível dos alvéolos e pequenas vias aéreas. A exposição intensa a fumaças altamente irritativas (p. ex., gás cloro) pode causar resposta instantânea na laringe, produzindo o fechamento da glote e limitando um dano mais distal em detrimento da respiração.
Síndromes específicas com sintomas respiratórios e sistêmicos podem ocorrer após exposições inalatórias. A febre pela exposição à fumaça de metais é observada em soldadores e outros trabalhadores que aquecem zinco, cobre e outros metais a altas temperaturas, gerando fumaça e pequenas partículas respiráveis. Os sintomas da febre pela exposição à fumaça de metais ocorrem entre quatro a 8 horas após a exposição e consistem de uma doença tipo gripe, com febre de 40oC, calafrios, cefaleia, tosse, irritação da orofaringe, falta de ar, náuseas, dores musculares e mal-estar. A doença é autolimitada e, em geral, desaparece entre 24 a 48 horas após seu início. Acredita-se que seja causada pela irritação direta do trato respiratório e pela absorção do metal pela circulação sistêmica. A síndrome da poeira tóxica orgânica (SPTO) é uma forma de febre por inalação que resulta da exposição a endotoxinas aerossolizadas (produtos de paredes de células bacterianas), glucans (produtos da parede celular de fungos) e compostos relacionados. Uma doença tipo gripe se desenvolve entre 4 a 8 horas após a exposição, com febre, dores musculares, mal-estar, tosse, falta de ar e, algumas vezes, sibilação. As exposições podem ocorrer em diversos locais, como, por exemplo, locais de confinamento de suínos, estações de tratamento de esgoto, locais de processamento de algodão, silos de armazenagem de grãos e moinhos para grãos. Nos pacientes com febre por exposição à fumaça dos metais, SPTO e outras febres por inalação, a tolerância pode ocorrer se a exposição for frequente, com perda da tolerância após a interrupção da exposição. A exposição diária pode causar bronquite crônica.