Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Pneumonia por Haemophilus influenzae
Características clínicas
A infecção hematógena do pulmão, que leva a uma pneumonia estafilocócica, pode ocorrer nos viciados em drogas com endocardite no lado direito do coração ou a partir de tromboflebite venosa séptica (com origem em um cateter venoso central ou em uma infecção da veia jugular). Nos pacientes com infecção pulmonar primária, a doença tende a ser severa e geralmente bilateral, multilobar, de rápida progressão e necrosante. Pacientes apresentam início repentino de quadro de febre, taquipneia e tosse com esputo purulento, podendo progredir rapidamente para choque séptico e insuficiência respiratória. A radiografia pode demonstrar efusão pleural, infiltrados cavitários, abcesso pulmonar ou pneumatoceles (uma sequela tardia da infecção). O empiema é uma complicação comum, porém complicações extrapulmonares incluem endocardite e meningite.
Tratamento
O tratamento para organismos sensíveis a antibióticos é feito com penicilina antiestafilocócica (p. ex., oxacilina ou nafcilina) ou com uma cefalosporina de primeira geração. Para a SARM, é possível administrar vancomicina, mas a linezolida pode ser um agente mais efetivo porque tem melhor penetração nos sítios respiratórios de infecção. O tratamento deve continuar por 4 a 6 semanas nas infecções que apresentam complicações, como aquelas complicadas por uma bacteremia ou pela disseminação para localizações extrapulmonares. Pode ocorrer reinfecção, com a taxa de mortalidade excedendo 30%. Como a patogênese da pneumonia por SARM-AC pode estar relacionada com a produção de toxinas bacterianas, o tratamento envolve tanto um agente antibacteriano quanto uma antitoxina (p. ex., linezolida isolada ou em combinação com vancomicina ou clindamicina).
Pneumonia por Haemophilus influenzae
FIGURA 4-71
Esse bastonete do tipo cocobacilo Gram-negativo pode ocorrer como uma forma tipável encapsulada ou como uma forma não tipável não encapsulada, e, em ambas as formas, podem causar pneumonia. Os organismos não tipáveis também constituem uma causa comum de bronquite e são colonizadores frequentes na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O organismo encapsulado apresenta sete tipos, mas o tipo B responde por 95% de todas as infecções invasivas. Anticorpos IgG opsonizantes (direcionados contra o polissacarídeo PRP da cápsula e contra os antígenos de membrana) são necessários para fagocitar os organismos encapsulados e, como os organismos encapsulados requerem uma resposta mais elaborada por parte do hospedeiro do que os organismos não encapsulados, geralmente são mais virulentos. Mesmo que muitos estudos tenham demonstrado nos adultos, particularmente aqueles com DPOC, que a infecção por bactérias não encapsuladas é mais comum do que a infecção por organismos encapsulados, anticorpos opsonizantes também são necessários para controlar as bactérias não encapsuladas. Os pacientes que desenvolvem pneumonia causada por essas bactérias geralmente apresentam algum grau de comprometimento em sua resposta de defesa, podendo incluir uma disfunção tanto na resposta humoral quanto na fagocitose local. Todavia, esse organismo pode ser observado, ainda, nos pacientes que apresentam como risco único o hábito de fumar.
Quando a pneumonia está presente, alguns pacientes podem desenvolver bacteremia, particularmente aqueles com pneumonias segmentares, e não com broncopneumonia. Estima-se em 15% o total de casos de pneumonia segmentar, porém mais do que 70% desses pacientes possuem bacteremia. Apesar disso, somente 25% dos casos de broncopneumonia apresentam bacteremia. O organismo encapsulado do tipo B é mais comumente observado nos pacientes com pneumonia segmentar do que naqueles com broncopneumonia. Em pacientes com DPOC, a broncopneumonia é mais comum do que a pneumonia segmentar.
Pacientes com pneumonia segmentar apresentam um início repentino de febre e dor pleurítica no peito, em conjunto com irritação na garganta. Aqueles com broncopneumonia apresentam uma febre um pouco mais baixa, taquipneia e sintomas constitucionais. Broncopneumonia assimétrica multilobar é o padrão radiográfico mais comum. Reação pleural também é comum, sendo observada em mais de 50% dos pacientes com pneumonia segmentar e em aproximadamente 20% dos pacientes com broncopneumonia. Complicações podem incluir empiema, abcesso pulmonar, meningite, artrite, pericardite, epiglotite e otite média (particularmente nas crianças).