Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Mesotelioma pleural maligno
FIGURA 4-60
O mesotelioma pleural maligno (MPM) é um tumor que surge na pleura a partir das células mesoteliais. Pode surgir também na cavidade peritoneal, pericárdio e túnica vaginal (raramente). O mesotelioma pleural pode estar restrito a uma área pequena ou crescer difusamente em uma distribuição multifocal ou extensa. Os tipos histológicos de MPM são o epitelioide, que é mais comum, o sarcomatoso e o bifásico ou misto. O mesotelioma desmoplásico é considerado um subtipo de mesotelioma sarcomatoso. O mesotelioma maligno localizado se apresenta como uma lesão nodular sem disseminação difusa na pleura, porém sua histologia é idêntica à do MPM difuso. Os resultados da coloração imunoistoquímica com citoqueratina 5/6, calretinina (ou calbindina) e tumor de Wilms-1 são positivos na maioria dos mesoteliomas epitelioides. Entretanto, há uma menor proporção de casos positivos nos mesoteliomas sarcomatosos. Esses marcadores são tipicamente, porém nem sempre, negativos no adenocarcinoma.
O agente etiológico do MPM é o asbesto na maioria dos casos, porém os relatos requerem um histórico de exposição cuidadoso e, em geral, o intervalo entre a exposição e a doença é e 30 a 50 anos. A frequência de MPM se acentua com o aumento da exposição aos asbestos. Entretanto, não há limite inferior documentado ou ponto de corte seguro para a exposição ao asbesto. Acredita-se que alguns indivíduos sejam geneticamente mais suscetíveis, porém a genética exata ainda não foi delineada.
As apresentações mais comuns são de efusão pleural ou dor. Dispneia pode estar presente caso a efusão pleural tenha volume significativo. Em geral, a dor é descrita como uma dor surda ou uma sensação de repuxo na parede torácica. A radiografia torácica pode demonstrar efusão pleural ou espessamento pleural com ou sem espessamento irregular da fissura interlobar. Placas calcificadas podem estar presentes na pleura e são sinais de exposição prévia ao asbesto. A tomografia computadorizada (TC) do tórax geralmente demonstra espessamento e presença de nódulos pleurais caso não estejam encobertos pela efusão pleural que está presente na maioria dos casos. O espessamento da fissura interlobar está frequentemente presente. Quando ocorre um envolvimento mais extenso, pode haver contração do hemitórax acometido.
O diagnóstico pode ser difícil. Os resultados da citologia do líquido pleural são positivos para células malignas em um terço dos casos, porém os patologistas têm dificuldade em distinguir se há um adenocarcinoma acometendo a pleura ou se está ocorrendo um MPM. Uma biópsia percutânea ou fechada da pleura geralmente fornece tecido adequado para se alcançar o diagnóstico. Quando os resultados desses testes não são diagnósticos, uma toracoscopia seguida de biópsia sob visualização direta é diagnóstica em 90% dos casos. A descrição típica durante a visualização é de que a pleura apresenta densidades nodulares múltiplas. Por causa da escassez de casos (< 2.000-3.000 por ano nos Estados Unidos), muitos patologistas veem poucos casos de MPM. Portanto, é muito importante que as amostras de biópsia sejam revisadas por um patologista com experiência na identificação de mesoteliomas.