Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Carcinoma de células escamosas do pulmão

• Mudanças propostas incorporadas no T e M (afetam as categorias T2,

T3, T4 e M1).

• Reclassificar tumores T2aN1 (≤ 5cm) como estágio IIA (antes IIB).

• Reclassificar tumores T2bN0 (> 5cm a 7cm) como estágio IIA (antes

IIB).

• Reclassificar T3 (tumores > 7cm) N0M0 como estágio IIB (antes IB).

• Reclassificar tumores T4N0 e T4N1 como estágio IIIA (antes IIIB).

• Reclassificar a disseminação pleural (efusões pleurais ou pericárdicas

malignas, nódulos pleurais) de T4 para M1a.

• Subclassificar M1 devido a nódulos adicionais no pulmão contralateral

como M1a.

• Subclassificar M1 devido à metástase a distância (fora do pulmão/pleura)

como M1b.

Devido à adição de novos itens ao T e ao M, as definições do estadiamento se tornaram claramente mais complexas. Entretanto, agora o novo sistema fornece um sistema mais válido para a definição do prognóstico. Além disso, o sistema também permite que a terminologia comum seja utilizada ao redor do planeta para descrever pacientes semelhantes, fato crucial para a comunicação acurada em toda a comunidade médica e para a condução de testes clínicos globais. Um dos objetivos futuros é o maior refinamento do sistema de classificação, que inclui o comportamento biológico dos tumores de pulmão, e não apenas a localização anatômica, fato que deve promover o entendimento da biologia tumoral e fornecer orientação para tratamentos mais específicos.

 

Carcinoma de células escamosas do pulmão

FIGURA 4-50

O carcinoma de células escamosas (CCE) é definido como um tumor epitelial maligno demonstrando queratinização ou pontes intracelulares (ou ambos) que surgem a partir do epitélio brônquico. Previamente, o CCE, algumas vezes chamado de carcinoma epidermoide, era o histotipo mais comum, porém isso mudou nas últimas uma ou duas décadas nos Estados Unidos, partes da Europa Ocidental e no Japão. Atualmente, o CCE responde por 20% de todos os cânceres de pulmão nos Estados Unidos

(http://seer.cancer.gov). A maioria dos casos de CCE ocorre entre indivíduos fumantes. Dados recentes do setor de Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais (SEER) reportam que o CCE responde por 24% de todos os cânceres nos homens e por 16% nas mulheres. O declínio recente nos casos de CCE e o aumento nos casos do histotipo adenocarcinoma têm sido atribuídos a mudanças no cigarro – do tipo sem filtro para o outro, com filtro – e também ao declínio nos níveis de alcatrão. Cerca de 60% a 80% desses cânceres surgem nos brônquios principais, lobares ou segmentares, mas podem estar presentes como uma lesão pulmonar periférica.

O CCE surge a partir do epitélio brônquico, e especula-se que os processos de anormalidade nas vias aéreas passem por uma série de mudanças, desde a hiperplasia até a displasia e carcinoma in situ, o qual é classificado pela Organização Mundial da Saúde como pré-invasivo e precursor do CCE. Graus variáveis de displasia também têm sido associados a alterações genéticas cumulativas, porém a(s) mudança(s) genética(s) que ocorre(m) antes do câncer em desenvolvimento propriamente dito ainda é(são) incerta(s).

Devido à tendência de ocorrer nas vias aéreas centrais, o CCE se apresenta mais comumente associado a hemoptise, tosse nova ou mudança na tosse, dor no peito ou pneumonia causada por obstrução brônquica. A apresentação radiográfica usual é uma massa central ou pneumonia obstrutiva com ou sem colapso lobar. Cerca de 10% a 20% dos CCEs apresentam lesões periféricas. Pode ocorrer cavitação em 10% a 15% de todos os CCEs, sendo o histotipo mais frequentemente associado a cavitação. Em geral, as cavidades possuem uma parede espessa. Cavitação pulmonar também pode ser causada por pneumonia obstrutiva e formação de abcessos.

A citologia do esputo apresenta a maior capacidade diagnóstica nesse tipo celular, em virtude da predominante localização central. A broncoscopia com escovados e biópsia é diagnóstica em 90% dos CCEs quando o câncer é endoscopicamente visível. A capacidade diagnóstica em lesões periféricas que não são visíveis por endoscopia é significativamente menor e depende do tamanho do tumor. Para lesões com tamanho inferior a 2cm de diâmetro, a aspiração com agulha transtorácica apresenta a maior capacidade diagnóstica caso um diagnóstico do histotipo seja necessário antes da ressecção cirúrgica.