Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Carcinoma de grandes células do pulmão

FIGURA 4-52

O carcinoma de grandes células é uma neoplasia maligna epitelial pouco diferenciada que não apresenta diferenciação glandular ou escamosa nem as características do carcinoma de pequenas células. Esse é um diagnóstico de exclusão e inclui muitos carcinomas pouco diferenciados do tipo não pequenas células. Diversas espécies são reconhecidas, incluindo a diferenciação neuroendócrina (carcinoma neuroendócrino de grandes células [CNEGC] e carcinoma basaloide), porém não se sabe se essa diferenciação tem caráter prognóstico ou importância terapêutica. O carcinoma de grandes células é uma variante que somente pode ser diagnosticada adequadamente em amostras cirúrgicas. Em geral, as amostras citológicas não são suficientes. O CNEGC é diferenciado do tumor carcinoide atípico pela maior presença de figuras de mitose, geralmente 11 ou mais por 2mm2 de tumor viável, e áreas extensas de necrose. A diferenciação neuroendócrina é confirmada pela utilização de marcadores imunoistoquímicos como cromogranina, sinaptofisina ou CD56. Pacientes com CNEGC apresentam prognóstico pior do que aqueles com tumores carcinoides atípicos. O carcinoma de grandes células está associado ao de fumar cigarros. Esse histotipo responde por 4% de todos os cânceres de pulmão, de acordo com a base de dados do setor de Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais. Essa base de dados lista o histotipo de 24% de todos os cânceres de pulmão como “outras não pequenas células”. Esses outros cânceres incluem cânceres do tipo não pequenas células que os patologistas classificam como SOE (sem outras especificações). Como, cada vez mais, o tratamento é direcionado a tipos celulares específicos, será importante para os patologistas classificá-los histologicamente da forma mais fiel possível e reduzir a porcentagem dos casos classificados como SOE.

Os sinais e sintomas desse histotipo são semelhantes àqueles de outros carcinomas do tipo não pequenas células. Os achados radiográficos mais comuns incluem uma grande massa periférica no pulmão. Devido à sua localização periférica, esses cânceres podem ser assintomáticos e acidentalmente detectados durante a execução de uma radiografia torácica. Em face do rápido crescimento desse histotipo, a alteração radiográfica pode aparecer rapidamente (dentro de poucos meses) ou crescer de forma acelerada.

Os procedimentos diagnósticos são semelhantes àqueles utilizados para outros tipos histológicos. Em geral, a citologia do esputo não auxilia muito quando se dispõe da localização periférica do tumor, pois os resultados alcançados na broncoscopia são semelhantes àqueles observados nos adenocarcinomas e nos carcinomas de células escamosas periféricas (60%-70%). Em geral, a aspiração com agulha transtorácica é diagnóstica na maioria dos casos. Esses cânceres costumam ser tumores agressivos, com elevada tendência a desenvolver metástases precoces. Todavia, a cirurgia permanece como o tratamento de escolha para os pacientes com doença em estágio inicial. Atualmente, não existem evidências convincentes de que pacientes com CNEGC devam ser tratados de forma diferente daqueles que têm outros carcinomas de grandes células. Pacientes em estágios III e IV da doença são tratados da mesma maneira que aqueles com outros histotipos não pequenas células. Pacientes no estágio III são tratados através de uma combinação entre quimioterapia e radioterapia torácica. A sobrevida é semelhante àquela apresentada por pacientes com outros cânceres do tipo não pequenas células, e os pacientes no estágio IV são tratados com quimioterapia como medida paliativa.