Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Aspiração endotraqueal

Muitas vezes, os pacientes apresentam sangramento periestomal ou hemoptise, que pode ser leve, moderado ou grave. Se houver suspeita, é necessário realizar uma consulta cirúrgica de emergência.

Problemas agudos ou crônicos podem ocorrer após a extubação. Uma complicação imediata é o laringoespasmo, que pode exigir reintubação ou traqueostomia. Problemas menores, como dor de garganta e rouquidão temporária, são frequentes. Entre os problemas crônicos, incluem-se insuficiência glótica, pólipos ou ulcerações, bem como desenvolvimento de uma estenose traqueal ou subglótica, ou ainda traqueomalacia. Esses problemas podem ser diagnosticados por laringoscopia indireta ou broncoscopia. Os locais mais comuns de estenose e malacia são as áreas ocupadas pelo cuff ou pela ponta do tubo endotraqueal, ou do tubo da traqueostomia, bem como o estoma de traqueostomia superior.

Sangramento e enfisema subcutâneo são mais ou menos exclusivos de traqueostomia. O sangramento no local da incisão pode ser evidente ou ocorrer internamente com aspiração de sangue. Se a cânula de traqueostomia for deslocada, a reinserção às vezes é difícil, especialmente com uma nova traqueostomia. Se a cânula de traqueostomia deslocada não puder ser reintroduzida rápida e facilmente, a intubação endotraqueal ou a ventilação por meio de máscara podem ser necessárias até que um cirurgião experiente esteja disponível. Se uma cânula de traqueostomia for inadvertidamente retirada antes da formação de um estoma (7 a 10 dias após a colocação), a substituição não deve ser tentada a menos que a via aérea seja fixada inicialmente com um tubo endotraqueal.

 

Aspiração endotraqueal

FIGURA 5-23

 

A aspiração nasotraqueal auxilia na remoção das secreções broncopulmonares retidas em paciente incapazes de expectorar de forma espontânea. No entanto, a fisioterapia respiratória, incluindo drenagem postural, percussão, tosse assistida e aparelhos com pressão expiratória positiva vibratória, pode ser bastante eficaz e é mais aceitável em pacientes conscientes e orientados. A nasotraqueal é indicada, principalmente, a pacientes pouco cooperativos ou prostrados, que requerem uma toalete traqueobrônquica.

Para a aspiração nasotraqueal, um látex macio ou polivinil 32-Fr, ou via aérea nasofaríngea 34-Fr lubrificada com lidocaína gel, é inserido no nariz e avançado de modo que sua extremidade distal fique acima das pregas vocais. Nesse momento, um cateter de aspiração 14-Fr mantido com uma mão enluvada estéril é passado pela via aérea pelas pregas vocais, o paciente geralmente tosse. Dessa maneira, a introdução do cateter de aspiração evita o trauma da mucosa nasal e da laringe, minimizando a deposição de secreções das vias aéreas superiores para dentro do pulmão. Considerando que aproximadamente 90% das tentativas para se alcançar a árvore traqueobrônquica por esse método são bem-sucedidas, a taxa de sucesso para a passagem nasal cega varia de 10% a 70%, dependendo do operador.

Depois de passar pelas pregas vocais, o cateter é avançado até alcançar o brônquio principal. Como o brônquio principal direito apresenta uma orientação mais vertical do que o brônquio principal esquerdo, o cateter mais frequentemente entra nas vias aéreas localizadas à direita. O cateter, então, é recuado enquanto o operador intermitentemente faz a aspiração (definida entre 100 e 160mmHg) por um período de 15 a 25 segundos. Em seguida, o cateter é removido e descartado após uma simples passagem. A aspiração nasotraqueal geralmente é eficaz na remoção de secreções traqueais. Também estimula a tosse e, portanto, facilita a limpeza das secreções dos grandes brônquios. Aspiração nasotraqueal de secreções do lado esquerdo geralmente é ineficaz, devendo-se realizar remoção por broncoscopia.

Pacientes que demandam ventilação mecânica muitas vezes necessitam de aspiração “in line”, pois a presença do tubo endotraqueal mantém a glote patente, limitando a geração de pressão intratorácica suficiente para retirar as secreções de forma adequada. Ao minimizar os desligamentos do ventilador, a aspiração in line evita o desrecrutamento, reduzindo o risco de eventual infecção nosocomial. A hipoxemia pode ser minimizada pela limitação da duração da aspiração de 3 a 5 segundos e pela administração de 100% de oxigênio por cerca de 1 minuto antes do procedimento. A aspiração através de uma cânula de traqueostomia é realizada de forma semelhante, através do método in line, se o paciente demandar ventilação mecânica, e da técnica “estéril”, se o paciente estiver recebendo suplementação de oxigênio através de um “colar trach” umidificado. Evidentemente, como as vias aéreas não são um ambiente estéril, o procedimento também não é completamente estéril, mas é dever do operador tentar minimizar a infecção nosocomial através do uso de luvas estéreis, descartando os tubos de aspiração após cada procedimento.