Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Berílio
Trabalhadores que vivenciaram uma exposição substancial ao asbesto e que eram tabagistas correm grande risco de desenvolver carcinoma broncogênico em comparação com tabagistas que não vivenciaram exposição ao asbesto. Indivíduos que nunca fumaram, mas que tiveram exposição moderada a severa ao asbesto, parecem apresentar um risco levemente maior (1,5 a 2,5 vezes) de desenvolver câncer de pulmão em comparação com não tabagistas não expostos, mas o risco absoluto ainda é baixo. Apresentação clínica, características radiológicas, localização anatômica, frequência de categorias patológicas e tratamento do câncer de pulmão com exposição a asbesto parecem ser similares àquelas para a população em geral.
Berílio
FIGURA 4-109
O berílio (Be) é um metal cuja resistência, leveza e outras propriedades o tornam particularmente adaptado a aplicações em produtos aeroespaciais, voltados à defesa, nucleares, eletrônicos e outras tecnologias de ponta. As doenças pulmonares causadas por berílio foram publicadas pela primeira vez no início da década de 1940, entre trabalhadores da extração do óxido de berílio em Ohio e fabricantes de lâmpadas fluorescentes em Massachussetts. Foram observadas pneumonite química aguda e doença crônica pelo berílio (DCB), semelhantes à sarcoidose (“sarcoide Salem” em trabalhadores da indústria de lâmpadas). Medidas de higiene industrial limitaram as altas exposições que causaram a pneumonite aguda, mas os efeitos continuados da exposição a doses muito baixas após a sensibilização foram mais difíceis de controlar. O berílio é extraído nos Estados Unidos, China, Cazaquistão, Rússia e em outros países. O material é processado no local para se transformar em hidróxido de berílio e depois convertido em metal berílio, óxido e ligas.
Os sais de berílio e o metal podem sensibilizar indivíduos suscetíveis para causar uma doença pulmonar granulomatosa crônica – a beriliose – que se assemelha à sarcoidose. A doença ocorre quase exclusivamente entre trabalhadores envolvidos na extração e produção do berílio e na fabricação de produtos com ligas desse metal. A exposição sensibilizante não ocorre depois que o metal é integrado nos produtos finais. A doença pulmonar causada pelo berílio pode servir como um paradigma para doenças em que o mecanismo envolve a combinação de uma população imunologicamente suscetível e geneticamente determinada pela a um antígeno específico único.
Doença crônica pelo berílio
A DCB, ou beriliose, geralmente tem um início gradual de falta de ar e tosse seca. À medida que a doença vai piorando, os sintomas sistêmicos de fadiga aos pequenos esforços, fraqueza, anorexia e perda de peso podem ser observados. O envolvimento pulmonar severo pode produzir dispneia em repouso, hipoxemia e cor pulmonale com edema. As características radiológicas se assemelham às da sarcoidose, com pequenas opacidades reticulonodulares em uma distribuição difusa ou esparsa, e obscurecimento na vasculatura periférica por opacidades adjacentes em vidro fosco; bolhas, distorção pulmonar ou espessamento pleural são incomuns. Em geral, a dilatação simétrica e bilateral de linfonodos é moderada, em vez de maciça, e encontrada em menos de 50% dos casos. Pode-se observar coalescência progressiva das opacidades em distribuição pulmonar superior ou média conforme a doença avança. Os testes de função pulmonar demonstram dano restritivo, redução das transferências gasosas (DL [capacidade de difusão CO
para o monóxido de carbono]) e hipoxemia em repouso, que geralmente piora com o esforço; uma alta proporção de pacientes com DCB também evidencia obstrução ao fluxo de ar.
A patologia da DCB demonstra granulomas não necrotizantes de células epitelioides no parênquima pulmonar, linfonodos hilares e mediastinais e, menos comumente, na pele e em outros órgãos. As lesões demonstram células epitelioides gigantes multinucleadas derivadas de macrófagos, circundadas por macrófagos ou monócitos menores e linfócitos T e B. Corpos de Schaumann são comuns. Fibroblastos e colágeno infiltram os centros dos granulomas com a progressão da doença. Em geral, o berílio não pode ser detectado dentro dessas lesões. Outros sistemas orgânicos além do tórax podem estar envolvidos na DCB, como pele, fígado, baço, linfonodos periféricos e medula óssea. Médicos e patologistas concordam que sarcoidose e DCB não podem ser distinguidas de modo confiável em casos individuais.
Patogênese
A patogênese da DCB é direcionada pelo acúmulo de células CD4 + Th1 específicas para o berílio. Fatores genéticos parecem determinar a eficácia da apresentação do berílio às células T, a resposta da célula T e a produção de citocinas que influenciam a resposta inflamatória imune subsequente. Os linfócitos T CD4+ do sangue pulmonar e periférico em indivíduos sensibilizados respondem ao berílio in vitro, proliferando-se vigorosamente (pelo teste de proliferação de linfócitos para o berílio). A sensibilização isolada não é suficiente para produzir uma doença pulmonar clinicamente evidente, porque muitos trabalhadores expostos desenvolvem sensibilização sem progressão da doença. A sensibilização imune dos linfócitos ao berílio é encontrada em 1% a 16% dos trabalhadores expostos, mas somente a metade dos trabalhadores sensibilizados evidencia granulomas pulmonares.
Diagnóstico
O diagnóstico de DCB requer quadro clínico compatível, história de exposição ambiental apropriada e demonstração de imunidade mediada por células (sensibilidade linfocitária in vitro) ao antígeno do berílio. Evidências clínicas da doença com granulomas não caseosos na patologia tecidual é essencial porque nem todos os trabalhadores expostos ou sensibilizados desenvolvem a doença. Uma síndrome clínica isolada não é suficiente, pois a sarcoidose pode apresentar características idênticas e é muito mais comum. Trabalhadores com suspeita de DCB podem ser encaminhados a um dos vários centros nacionais de pesquisa que oferecem consultas e testes especializados.