Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Drenagem postural e exercícios respiratórios

Alças dependentes de tubulação fora do peito podem conter líquidos e resultar em significativa pressão posterior e acúmulo de líquido intrapleural ou ar. Mais de um tubo de drenagem pode ser necessário, especialmente no caso de haver vazamentos maiores de ar.

Na hipótese de derrames pleurais, ou em pacientes com pleurodese recente, o dreno do tórax pode ser removido normalmente quando houver drenado menos de 100 e até 200mL de líquido seroso em um período de 24 horas. Ocasionalmente, o líquido serossanguinolento pode vazar através do orifício do qual o tubo foi removido, especialmente depois de tossir. Isso não é motivo para preocupação, porque o vazamento quase sempre cessa espontaneamente. Se a drenagem ocorrer em torno do tubo que ainda está no lugar, isso sugere que a ponta não está mais em comunicação com o líquido intrapleural, e o material fibrinoso precisa ser retirado e lavado com solução salina estéril, ou até mesmo removido. A infecção causada pela presença do tubo de drenagem no espaço pleural não é comum se a técnica estéril foi utilizada durante a inserção.

Em certas situações, um dreno torácico pode ser inserido através do túnel subcutâneo para proporcionar drenagem em derrames para tratamentos paliativos. Esses dispositivos permitem ao paciente voltar para casa, além de auxiliar no alívio dos sintomas de falta de ar e de pressão no peito causada por derrames crônicos.

 

Drenagem postural e exercícios respiratórios

FIGURA 5-17

O acúmulo de secreções brônquicas é um grande complicador em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística ou bronquiectasias, e é particularmente crítico quando a doença avança e o mecanismo de tosse, com ação broncociliar, está prejudicado. O acúmulo de secreções mucosas ou mucopurulentas constitui fonte permanente para a reativação de infecção bacteriana. Além disso, pode interromper o fluxo de ar e causar obstrução das vias aéreas de modo temporário ou permanente.

Drenagem postural, também chamada de drenagem gravitacional, é o método preferido e mais tolerado para limpar a árvore brônquica. Outras técnicas, como aspiração ou lavagem brônquica, causam considerável desconforto, muitas vezes demandando anestésico local e equipe paramédica especializada. A drenagem postural pode ser realizada de forma eficaz na casa do paciente, com o auxílio de um membro da família. Na verdade, o fato de o paciente ser capaz de participar ativamente de sua própria terapia, em vez de ser meramente um receptor passivo, também tem seu valor.

A hidratação adequada também é importante para facilitar a drenagem. A drenagem é realizada por meio de um manual ou através de manobras eletricamente operadas para ajudar a expelir e eliminar as secreções presas, em direção à traqueia: (1) percussão com toques vibratórios rápidos, (2) toques com as mãos em concha, e (3) ultrassonografia de alta frequência. Essas técnicas são aplicadas onde a drenagem é mais necessária, sobre qualquer região, anterior ou posterior, da parede torácica, e repetidas durante algum tempo, e cada posição ou postura recebe auxílio do paciente.

O posicionamento adequado do paciente é fundamental, feito de acordo com a distribuição e a configuração dos segmentos broncopulmonares. Para se obter a drenagem máxima dos segmentos apicais do lobo superior, a posição vertical ligeiramente reclinada é a mais eficaz. Para a drenagem da traqueia e dos brônquios principais, deve-se assumir a posição da cabeça para baixo e em ângulo reto. A posição de cabeça para baixo (Trendelenburg) deve ser utilizada para drenar os lobos pulmonares médios e inferiores.

A maioria dos pacientes tolera bem essas posições, exceto aqueles debilitados, que podem, inicialmente, experimentar certa dificildade em se colocar na posição de cabeça para baixo e em ângulo reto. Nesses casos, a posição deve ser alcançada gradualmente, e somente até o grau de tolerância do paciente.