Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Estrutura da traqueia e dos brônquios principais

Fibras eferentes simpáticas

As fibras eferentes pré-ganglionares emergem da medula espinal nos níveis T1 ou T2 a T5 ou T6 e seguem até os troncos simpáticos por ramos comunicantes brancos. As fibras que levam impulsos para a laringe e a traqueia superior ascendem pelo tronco simpático e fazem sinapse nos gânglios simpáticos cervicais, de onde saem fibras pós-ganglionares que seguem para essas estruturas. As demais fibras fazem sinapse nos gânglios torácicos superiores dos troncos simpáticos, de onde saem fibras pós-ganglionares para a traqueia inferior, os brônquios e os bronquíolos, a maioria pelo plexo pulmonar. As terminações nervosas pós-ganglionares são adrenérgicas. A estimulação simpática relaxa o músculo liso bronquial e bronquiolar, inibe a secreção glandular e provoca vasoconstrição. Estudos farmacológicos indicam que há dois tipos de receptores adrenérgicos – o α e o β. Os receptores α estão localizados principalmente no músculo liso e nas glândulas exócrinas. Os receptores β foram subdivididos farmacologicamente em β , localizados no coração, e β , situados no 1 2 músculo liso do corpo todo, inclusive dos vasos e dos brônquios. Em geral, a estimulação α é excitatória. A estimulação β pode ser inibitória (relaxamento do músculo liso bronquial) ou excitatória (aumento da frequência cardíaca e da força de contração do coração). A estimulação β também tende a mobilizar energia por meio da glicogenólise e da lipólise.

Alguns tecidos contêm os dois tipos de receptores: α e β. O resultado da estimulação depende da natureza da catecolamina estimulante e da proporção relativa dos dois tipos de receptores. Nos pulmões, a estimulação β (não há receptores β nos pulmões) provoca broncodilatação e 2 1

possivelmente diminuição da secreção de muco; a estimulação α-adrenérgica por agentes farmacológicos provoca broncoconstrição.

 

Estrutura da traqueia e dos brônquios

principais

FIGURA 1-21

 

A traqueia estende-se da laringe até o nível da borda superior da quinta vértebra torácica, onde se divide nos dois brônquios principais que entram nos pulmões direito e esquerdo. Cerca de 20 placas de cartilagem em forma de C reforçam as paredes anterior e lateral da traqueia e dos brônquios principais. A parede posterior, ou traqueia membranácea, não tem cartilagem, mas apresenta feixes entrelaçados de fibras musculares que se inserem nas extremidades posteriores das placas de cartilagem. O diâmetro externo da traqueia é de aproximadamente 2,0cm nos homens e de 1,5cm nas mulheres. A traqueia tem aproximadamente 10 a 11cm de comprimento.

As glândulas mucosas são particularmente numerosas na parte posterior da mucosa traqueal. Ao longo da traqueia e das vias aéreas maiores, algumas dessas glândulas se situam entre as placas de cartilagem, enquanto outras estão externas às camadas musculares, e seus ductos penetram nessa camada, abrindo na superfície da mucosa. Posteriormente, há fibras elásticas agrupadas em feixes longitudinais logo abaixo da membrana basal do epitélio traqueal e, a olho nu, esses feixes aparecem como faixas largas e achatadas que enrijecem o revestimento interno da traqueia; esses feixes não são tão evidentes na parte anterior. Mais distalmente, as faixas de fibras elásticas tornam-se mais finas e são encontradas em toda a circunferência das vias aéreas.

Logo acima do ponto no qual o brônquio principal entra no pulmão, as placas de cartilagem se unem, circundando totalmente a via aérea. Posteriormente, as extremidades das placas se encontram, e a região membranosa desaparece. Aqui, as placas não têm mais a forma de C, são menores e mais irregulares, e estão dispostas em torno de toda a parede bronquial. No hilo do pulmão, o brônquio principal divide-se em brônquios lobares; nesse ponto, as placas de cartilagem são maiores e têm a forma de sela para reforçar essa região da ramificação.

No nível onde a cartilagem circunda totalmente a via aérea, a cobertura muscular passa por um rearranjo considerável. Ela não se insere mais na cartilagem (como na traqueia) e forma uma camada separada de feixes entrelaçados por dentro da cartilagem. A partir desse ponto e mais distalmente, as vias aéreas podem ser totalmente ocluídas pela contração do músculo; no entanto, a traqueia nunca sofre uma ação esfinctérica completa. O brônquio principal direito é mais curto e mais vertical (o ângulo formado entre ele e a traqueia é menor) em comparação com o brônquio principal esquerdo. Por essa razão, corpos estranhos podem alojar-se com mais facilidade no brônquio principal direito quando a aspiração ocorre no indivíduo sentado ou em pé.