Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Topografia dos pulmões – vista anterior

O forame da veia cava está no nível do disco situado entre a oitava e a nona vértebras torácicas, na união dos folhetos direito e médio do centro tendíneo. Por ele, passam a veia cava inferior e alguns ramos do nervo frênico direito.

O pilar direito é perfurado pelos nervos esplâncnicos maior e menor direitos, enquanto o pilar esquerdo é perfurado pelos nervos esplâncnicos maior e menor e pela veia hemiázigo. Os troncos simpáticos geralmente não perfuram o diafragma, mas passam por trás do ligamento arqueado medial.

A base do saco pericárdico fibroso funde-se parcialmente no folheto médio do centro tendíneo do diafragma. As porções diafragmáticas da pleura parietal estão intimamente fundidas na face superior das porções direita e esquerda do diafragma. No local onde a pleura diafragmática reflete em um ângulo agudo transformando-se na pleura costal, forma-se o recesso costodiafragmático, ou sulco costofrênico. No local onde a pleura costal reflete transformando-se na pleura pericárdica, forma-se o recesso costomediastinal.

 

Topografia dos pulmões – vista anterior

FIGURA 1-11

Quando visto de frente, cada pulmão se estende cerca de 2,5cm acima do terço medial da clavícula, chegando até a extremidade vertebral da primeira costela. Assim, o pulmão projeta-se para dentro da base do pescoço.

A margem anterior do pulmão direito desce por trás da articulação esternoclavicular e quase chega à linha média no nível do ângulo do esterno. Essa margem continua inferiormente, posterior ao esterno, até o nível da sexta junção condroesternal. Nesse ponto, a margem inferior curva-se lateralmente e um pouco para baixo, cruzando a sexta costela na linha medioclavicular e a oitava costela na linha axilar média. Em seguida, corre posterior e medialmente no nível do processo espinhoso da décima vértebra torácica. Na verdade, esses níveis variam e aplicam-se ao pulmão em expiração. Na inspiração, os níveis relativos à margem inferior são cerca de duas costelas mais baixos.

A posição da margem anterior do pulmão esquerdo é similar à da margem anterior do pulmão direito. No entanto, no nível da quarta cartilagem costal, a margem esquerda desvia-se lateralmente por causa do coração, formando no pulmão a incisura cardíaca. A posição da margem inferior do pulmão esquerdo é similar à posição da margem inferior do pulmão direito, porém estende-se mais inferiormente, porque o pulmão direito é empurrado para cima pelo fígado, que está embaixo do diafragma.

A fissura oblíqua do pulmão direito, que separa o lobo inferior dos lobos superior e médio, termina na margem inferior do pulmão, perto da linha medioclavicular. A fissura horizontal que separa o lobo médio do lobo superior começa na fissura oblíqua e corre horizontalmente para a frente até a margem anterior do pulmão, que alcança aproximadamente no nível da quarta cartilagem costal.

A fissura oblíqua do pulmão esquerdo tem uma localização similar à da fissura oblíqua do lado direito. Normalmente, o pulmão esquerdo tem apenas dois lobos e não tem fissura horizontal. Fissuras extras podem ocorrer nos dois pulmões, geralmente entre os segmentos broncopulmonares e, no pulmão esquerdo, entre as divisões superior e inferior do lobo superior, dando origem, assim, um pulmão esquerdo com três lobos.

Raras vezes, os pulmões companham, inferiormente a pleura parietal, por isso parte da pleura parietal diafragmática geralmente está em contato com a pleura parietal costal. Essa área – cujo tamanho varia com a fase da respiração – é denominada recesso costodiafragmático da pleura ou sulco costofrênico. Há uma área semelhante, porém menor, no local onde a margem anterior do pulmão não se estende medialmente até seus limites – sobretudo na expiração – e as pleuras parietal costal e parietal mediastinal estão em contato. Essa área é chamada de recesso costomediastinal.