Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Paracoccidioidomicose
FIGURA 4-90
A paracoccidioidomicose, anteriormente conhecida como blastomicose sul-americana, é causada pela inalação de esporos do fungo termicamente dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. O organismo vive no solo ou no material vegetal sob a forma micelar e pode ser cultivado nessa fase em temperatura ambiente em Agar glicose Sabouraud. Após entrar no corpo, o fungo se transforma em uma levedura, que se reproduz com a produção de múltiplos brotamentos. Entretanto, também se observam organismos com brotamentos únicos. A forma de levedura do fungo também pode ser cultivada em Agar sangue em temperatura de 37° C, porém não é infecciosa.
A doença é geograficamente limitada à América Latina, do México à Argentina, com 80% das ocorrências no Brasil. Mesmo ocorrendo em um país endêmico, a doença não é distribuída de forma homogênea, provavelmente refletindo condições ambientais que favorecem a proliferação do fungo. Como a forma crônica da doença pode apresentar um período de incubação longo (≥ 30 anos), há incidência de casos em antigos residentes de áreas nas quais a doença é endêmica, após terem morado por anos na Europa ou nos Estados Unidos. Nessas circunstâncias, a doença tem sido inicialmente confundida com a tuberculose ou com outras micoses.
Provavelmente, o solo é o habitat natural de P. brasiliensis, o qual está relacionado com a alta incidência de exposição agrícola ou em construções por esses pacientes. As crianças respondem por menos de 10% dos casos e, nelas, não há predileção de gênero, porém, nos adultos, há predominância notável de 15: 1 no sexo masculino. O hábito de fumar aparenta ser um fator de risco para a doença entre os adultos.
As apresentações clínicas da doença incluem uma forma “adulta” crônica na maioria dos pacientes, uma forma aguda-subaguda “juvenil” em 15% a 20% dos casos e uma forma aguda disseminada recém-descrita em pacientes HIV-positivos. As duas últimas apresentações ocorrem em indivíduos mais jovens e acometem principalmente o sistema reticuloendotelial, apresentando poucas manifestações pulmonares. Em geral, a forma crônica ocorre nos indivíduos que estão na faixa etária de 40-60 anos e, quase sempre, é uma doença multifocal, com envolvimento predominantemente pulmonar. Sintomas pulmonares de dispneia, tosse e esputo são crônicos e inespecíficos. Durante o exame físico, alterações estão frequentemente ausentes, apesar dos achados radiológicos significativos. Em geral, radiografias torácicas demonstram infiltrados bilaterais simétricos alvéolo-intersticiais ou instersticiais nas zonas inferior e central do pulmão, sem acometimento dos ápices, apresentando algumas áreas com pequenas cavitações. Tomografias computadorizadas de alta resolução revelam achados variados, incluindo atenuação em vidro fosco, nódulos, nódulos cavitários, espessamento dos septos interlobulares e distorção da arquitetura do órgão. Após o tratamento, observa-se fibrose residual em 50% dos casos e doença bolhosa em 25% dos pacientes.