Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Pneumonia por Staphylococcus aureus
Em geral, os pacientes com pneumonia por Legionella apresentam febre alta, calafrios, dor de cabeça, mialgias e leucocitose. Características que podem sugerir o diagnóstico incluem a presença de pneumonia precedida de diarreia e confusão mental, hiponatremia, relativa bradicardia e alterações na função hepática. Entretanto, em geral, não se observa essa síndrome clássica da Legionella. Os sintomas progridem rapidamente, e o paciente aparenta estar relativamente intoxicado. O paciente pode apresentar esputo purulento, dor pleurítica no peito e dispneia, porém o esputo corado utilizando a coloração de Gram geralmente demonstra células inflamatórias, mas não organismos identificáveis. A radiografia torácica não é específica e pode demonstrar broncopneumonia, doença unilateral ou bilateral, consolidação lobar ou áreas arredondadas mais densas com cavitação. Mais de 15% dos pacientes apresentam efusão pleural, porém empiema é incomum. Proteinúria é comum, e alguns pacientes desenvolvem glomerulonefrite e necrose tubular aguda. Miocardite e disfunção cerebelar foram documentadas como complicações raras da pneumonia por Legionella.
Quando se sugere esse diagnóstico, o tratamento deve ser realizado com macrolídeos ou quinolonas, e relatos recentes demonstram resultados excelentes com o uso de levofloxacina ou de moxifloxacina. Em geral, o tratamento com macrolídeos é realizado por 14 a 21 dias. As quinolonas demonstram eficácia em tratamentos de duração mais curta. Uma vez instituído um tratamento efetivo, o declínio da febre pode ser vagaroso, e é possível observar variações bruscas na temperatura corporal por 1 semana após o início do tratamento adequado. A resolução do quadro radiográfico é muito mais lento do que em outras formas de pneumonia causada por patógenos atípicos e inferior a 5% em hospedeiros normais, mas pode ser tão alta quanto 25% em hospedeiros imunocomprometidos.
Pneumonia por Staphylococcus aureus
FIGURA 4-70
Staphylococcus aureus é um coco Gram-positivo necrosante que, em geral, tem a aparência de um agregado em formato de cacho de uva quando corado nos tecidos e secreções. Ele pode levar a uma infecção em diversos locais do corpo, incluindo pulmão, podendo ser responsável por todas as formas de pneumonia, incluindo a pneumonia adquirida na comunidade (PAC), pneumonia associada a cuidados de saúde (PACS) e pneumonia nosocomial. Apesar de o organismo levar a uma infecção pulmonar profundamente arraigada, também pode disseminar-se por via hematógena a partir do pulmão para múltiplos locais ao longo do corpo. O envolvimento do pulmão pode ocorrer não somente como resultado de uma pneumonia primária, mas também secundária a uma bacteremia originada em diversos locais, inclusive pele e uma endocardite no lado direito do coração. A virulência desse organismo é promovida por sua habilidade de adquirir material exógeno a partir de outros micro-organismos (sequências de inserção, transposons e bacteriófagos) que são responsáveis pela invasão tecidual e pela aquisição de resistência a medicamentos. A PAC pode ser causada por micro-organismos sensíveis a antibióticos ou por S. aureus resistente à meticilina (SARM), o último sendo observado tanto na comunidade quanto em infecções hospitalares.
Epidemiologia
Em geral, o S. aureus não é a causa mais comum para PAC, porém tem sido tradicionalmente observado em indivíduos idosos, em pessoas com doença pulmonar crônica (fibrose cística e bronquiectasia) e como a causa da pneumonia bacteriana como complicação da influenza. Por muito tempo, cepas de S. aureus resistente à meticilina adquiridas na comunidade (SARM-AC) têm surgido primariamente em infecções de pele e tecidos moles, mas também como causa de PAC severa. A frequência de PAC causada por SARM-AC ainda é relativamente baixa, porém ocorre esporadicamente, havendo maior frequência em determinadas áreas geográficas, especialmente na temporada de influenza. A SARM-AC é uma doença clonal, emanada do clone USA300 de S. aureus, e é clínica e bacteriologicamente diferente das cepas de SARM que causam a pneumonia nosocomial. A SARM-AC pode infectar indivíduos previamente saudáveis, geralmente como complicação de uma infecção viral prévia, embora a SARM nosocomial tenda a infectar indivíduos debilitados e cronicamente doentes. Em geral, a SARM-AC é uma infecção necrosante que pode ser mediada por diversas toxinas estafilocócicas, incluindo a toxina leucocidina de Panton-Valentine.