Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Inativação das substâncias vasoativas circulantes

Inativação das substâncias vasoativas

circulantes

Em 1924, Starling e Verney observaram, em uma preparação isolada de rim perfundido, que a vasoconstrição poderia ser impedida se um pulmão fosse incluso no sistema de perfusão. Eles concluíram que uma substância vasoativa era removida durante a passagem do perfusato através do pulmão. Mais tarde, descobriu-se que a substância que afeta a vasculatura renal é a serotonina, a qual é removida ou inativada durante sua jornada através da circulação pulmonar. Atualmente, está bem estabelecido, em parte pelo trabalho pioneiro de Vane, que o pulmão está intimamente dedicado à inativação e à ativação de substâncias vasoativas circulantes, incluindo as

catecolaminas e prostaglandinas (Fig. 2-23).

Esses mecanismos de captação intrapulmonar contribuem para o controle da resistência vascular periférica e o “recondicionamento” do sangue antes da reentrada no sistema arterial. A estrutura do pulmão e sua localização dentro do sistema circulatório estão eminentemente adequadas para desempenhar esse papel. Aqui, todo o volume pulmonar deve passar através de um único leito vascular e, apesar do volume sanguíneo intrapulmonar, em qualquer momento, ser pequeno (+/- 60mL), é exposto a uma área de superfície vascular maior (+/- 70m2), permitindo estreito contato entre as substâncias dentro do sangue e as células endoteliais.

O destino da serotonina no pulmão é um bom exemplo de interação entre as substâncias vasoativas circulantes e o endotélio da vasculatura pulmonar. A serotonina (5-hidroxitriptamina) é uma amina potente que afeta a microcirculação em várias áreas do corpo. Ela é gerada em várias células, incluindo plaquetas e certos neurônios. Somente uma pequena fração circula livre no sangue, com a maior parte da serotonina ligada às plaquetas. A ação farmacológica dessa amina varia de tecido para tecido. No pulmão, provoca constrição dos vasos pulmonares. Em animais, também causa broncoconstrição, mas as vias aéreas humanas não apresentam resposta a esse mediador.

A serotonina produzida no trato gastrointestinal atinge o fígado via circulação portal. No fígado, convertida por meio de uma reação que envolve a monoaminoxidase para ácido 5-hidroxindoleacético, uma substância que se difunde livremente e é solúvel em água, sem nenhuma ação farmacológica conhecida. A serotonina sanguínea que atinge o pulmão é efetivamente removida pela captação das células endoteliais pulmonares. Esse processo depende de um mecanismo carreador que é saturável. Após sua captação pelos tecidos que compõem o pulmão, a serotonina é oxidada para ácido 5-hidroxindolacético.