Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Face dorsal do tórax
Drenagem linfática da parede anterior do
tórax
A drenagem linfática da parede anterior do tórax envolve três grupos gerais de linfonodos: esternais (torácicos internos), frênicos (diafragmáticos) e intercostais. Os linfonodos esternais se situam ao longo da parte superior das artérias torácicas internas. Existem vários grupos de linfonodos frênicos na face superior do diafragma, e há um ou dois linfonodos intercostais na extremidade vertebral de cada espaço intercostal. Os vasos eferentes dos linfonodos esternais geralmente drenam para o tronco broncomediastinal. Os vasos eferentes dos linfonodos frênicos normalmente seguem para os linfonodos esternais. Os linfonodos intercostais superiores enviam seus vasos eferentes para o ducto torácico, e os inferiores de cada lado drenam para um vaso que segue inferiormente até a cisterna do quilo.
Face dorsal do tórax
FIGURA 1-7
A face dorsal do tórax também é coberta por pele e fáscia superficial, e os nervos cutâneos que seguem para a pele das costas se ramificam nessa fáscia. Esses nervos cutâneos são ramos das divisões primárias posteriores (ramos dorsais) dos nervos torácicos – o ramo medial inerva os seis níveis torácicos superiores, enquanto o ramo lateral inerva os seis inferiores.
Os músculos mais superficiais da face posterior do tórax pertencem ao grupo que une a extremidade superior à coluna vertebral. São eles o trapézio, o latíssimo do dorso, o romboide maior, o romboide menor e o levantador da escápula.
O músculo trapézio tem origem no terço medial da linha nucal superior, na protuberância occipital externa, na margem posterior do ligamento nucal, nos processos espinhosos da sétima vértebra cervical e de todas as vértebras torácicas e nos ligamentos supraespinais relacionados. As fibras inferiores convergem para uma aponeurose que passa sobre a área triangular situada extremidade medial da espinha da escápula e se fixa no ápice desse triângulo. As fibras da porção média inserem-se na margem medial do acrômio e na margem superior da borda posterior da espinha da escápula. As fibras superiores terminam na borda posterior do terço lateral da clavícula. O trapézio é inervado pela parte espinal do XI nervo craniano e por ramos das divisões anteriores (ramos ventrais) do terceiro e quarto nervos cervicais. Quando o trapézio se contrai, tende a puxar a escápula medialmente e, ao mesmo tempo, girá-la, levando, assim, o ombro para cima. Se o ombro permanecer fixo, as fibras superiores irão inclinar a cabeça de modo que a face se volte para cima e para o lado oposto.
A origem bastante ampla do músculo latíssimo do dorso está em uma pequena digitação muscular que se fixa no lábio externo da crista ilíaca, lateral ao músculo eretor da espinha, e em uma aponeurose extensa que se fixa nos processos espinhosos das seis últimas vértebras torácicas, das vértebras lombares e sacrais e nos ligamentos supraespinais relacionados. O latíssimo do dorso insere-se na profundidade do sulco intertubercular do úmero. Sua inervação provém dos sexto, sétimo e oitavo nervos cervicais por meio do ramo toracodorsal do plexo braquial. Esse músculo auxilia na extensão, adução e rotação medial da articulação do ombro e ajuda a abaixar o braço erguido contra uma resistência.
É difícil separar os músculos romboide maior e menor. O romboide maior tem origem nas pontas dos processos espinhosos e nos ligamentos supraespinais da segunda à quinta vértebra torácica. Insere-se na margem vertebral da escápula por meio de um arco tendíneo que se estende do ângulo inferior do triângulo liso situado na raiz da espinha até o ângulo inferior da escápula. O músculo romboide menor tem origem nos processos espinhosos da primeira vértebra torácica e da última vértebra cervical e na parte inferior do ligamento nucal, inserindo-se na margem vertebral da escápula, na base do triângulo, formando a raiz da espinha da escápula. Os músculos romboides são inervados por fibras provenientes do quinto e sexto nervos cervicais por meio do ramo dorsoescapular do plexo braquial. Os músculos romboide maior e menor tendem a puxar a escápula na direção da coluna vertebral e ligeiramente para cima; as fibras inferiores do músculo maior ajudam a girar a escápula de modo que o ombro seja abaixado.
FIGURA 1-8
O músculo levantador da escápula tem origem em quatro digitações tendíneas que se prendem aos processos transversos das primeiras quatro vértebras cervicais. Esse músculo se insere na margem vertebral da escápula, desde o ângulo superior desse osso até o triângulo liso situado na extremidade medial da espinha da escápula. Sua inervação é composta principalmente de ramos do plexo cervical provenientes dos ramos ventrais do terceiro e quarto nervos cervicais. O levantador da escápula, como o nome indica, levanta a escápula, puxando-a medialmente e girando-a de modo que a extremidade do ombro seja abaixada.
Profundamente ao grupo de músculos que conecta a extremidade superior à coluna vertebral, estão os músculos serrátil posterior superior e o serrátil posterior inferior.
Na origem do músculo serrátil posterior superior, há uma aponeurose fina que se prende à parte inferior do ligamento nucal e aos processos espinhosos e ligamentos supraespinais relacionados da sétima vértebra cervical e das duas ou três vértebras torácicas superiores. Esse músculo se insere por meio de digitações carnosas na borda superior da segunda à quinta costela, lateral ao ângulo da costela. Ele ajuda a aumentar o tamanho da cavidade torácica elevando as costelas. Na origem do músculo serrátil posterior inferior, há uma aponeurose fina que se prende aos processos espinhosos e aos ligamentos supraespinais relacionados das últimas duas vértebras torácicas e das duas ou três primeiras vértebras lombares. Esse músculo se insere por meio de digitações carnosas na borda inferior das últimas quatro costelas, um pouco depois de seus ângulos. Ele tende a puxar as últimas quatro costelas para baixo e para fora. Os músculos serráteis posteriores superior e inferior recebem ramos ventrais dos nervos torácicos na altura em que estão localizados.
Profundamente ao músculo serrátil posterior superior, estão as porções torácicas dos músculos esplênios da cabeça e do pescoço.
O músculo esplênio do pescoço tem uma origem tendínea que se prende aos processos espinhosos da terceira à sexta vértebra torácica; ele cobre os músculos mais profundos e insere-se por meio de fascículos tendíneos nos processos transversos das duas ou três vértebras cervicais superiores. O músculo esplênio da cabeça tem origem na metade inferior do ligamento nucal e nos processos espinhosos da sétima vértebra cervical e das três ou quatro primeiras vértebras torácicas. Insere-se no osso occipital, logo abaixo do terço lateral da linha nucal superior. Os músculos esplênios tendem a puxar a cabeça e o pescoço para trás e para a lateral e também a virar a face para o mesmo lado. Eles são inervados por ramos das divisões primárias posteriores dos nervos cervicais médio e inferior.