Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Distúrbio respiratório do sono

Em geral, o esforço respiratório é medido pela pletismografia respiratória por indutância ou pela pneumografia por impedância. A oximetria de pulso é utilizada para monitorar continuamente a saturação de oxigênio durante toda a noite.

Em geral, PSGs são realizados durante uma noite inteira. Os registros são, então, “relacionados”, utilizando-se critérios padronizados que definem os estágios do sono (estágio 1 NREM [movimento não rápido dos olhos], estágio 2 NREM, estágio 3 NREM e REM), eventos respiratórios, movimentos dos membros e eventos cardíacos. De cada PSG, um pode determinar a arquitetura do sono, a presença de distúrbio do sono, os eventos respiratórios, as arritmias cardíacas e outras interrupções do sono que podem ajudar a explicar a queixa de sono do paciente.

Outro teste do sono comum que é realizado em um centro do sono é o de latências múltiplas do sono (MSLT). Um MSLT é realizado 1 dia após uma noite de PSG e consiste em uma série de cochilos diurnos, sendo o primeiro realizado 2 horas após a conclusão da PSG, e posteriormente, a cada 2 horas depois disso. Realiza-se um total de quatro ou cinco cochilos, terminando em 20 a 35 minutos. O propósito da realização de um MSLT é determinar, de forma objetiva, quanto tempo uma pessoa sonolenta leva para cair no sono durante os cochilos (média de latência do sono) e para avaliar se o paciente entra no sono REM durante esses cochilos. A presença de dois ou mais cochilos com sono REM é sugestiva de narcolepsia na circunstância clínica apropriada.

 

Distúrbio respiratório do sono

FIGURA 4-166

O distúrbio do sono mais comum diagnosticado pelo laboratório do sono é a apneia obstrutiva do sono (SAOS). Na SAOS, as vias aéreas da faringe ou da hipofaringe se colapsam (apneia) ou se estreitam para um grau em que a ventilação é impedida (hipopneia), resultando em diminuição do nível de oxigênio ou no despertar do sono. SAOS é extremamente comum, afetando de 1% a 2% das crianças e até 10% dos adultos.

Os fatores de risco para SAOS em adultos incluem sexo masculino, obesidade, vias aéreas superiores pequenas ou estreitas e estado pós-menopausa em mulheres. Em crianças, os fatores de risco são obesidade e alargamento das tonsilas palatinas ou faríngea (adenoide). Pacientes adultos com SAOS podem queixar-se de sonolência diurna, sono não reparador, fadiga crônica, insônia, dores de cabeça matinais, despertares noturnos mais frequentes e noctúria. Parceiros de cama muitas vezes levam o paciente ao médico por causa do ronco alto e perturbador e por testemunharem apneias durante o sono. Crianças com SAOS podem apresentar queixas similares aos adultos, com déficit de crescimento ou distúrbio do déficit de atenção.

Um diagnóstico de SAOS geralmente é confirmado com a PSG, que irá apresentar apneia frequente, hipopneia, ou ambas, durante o sono. Os pacientes com SAOS podem apresentar centenas de apneias, hipopneias ou despertares relacionados com o esforço respiratório (RERAs) em uma noite. A gravidade da SAOS muitas vezes é determinada pelo índice de apneia e hipopneia (IAH), que é o número total de apneias mais hipopneias, dividido pelo tempo de sono total em horas. Um IAH é considerado normal se for inferior a cinco por hora e anormal se for acima de dez por hora. Um índice de distúrbio respiratório (IDR) também inclui a RERAs no numerador. Os eventos de distúrbios respiratórios do sono podem resultar em significativa dessaturação de oxigênio e alterações significativas na frequência cardíaca, na pressão sanguínea, na pressão da artéria cerebral e na pressão arterial pulmonar.

A SAOS está associada a inúmeros distúrbios clínicos, incluindo hipertensão, hipertensão pulmonar, acidente vascular encefálico, refluxo gastroesofágico, intolerância a glicose, arritmias cardíacas e doenças coronárias. O tratamento da SAOS muitas vezes melhora as sequelas de algumas dessas comorbidades.

As opções para o tratamento da SAOS incluem cirurgia, perda de peso, dispositivos de pressão positiva e aparelhos dentários. Para as crianças, a cirurgia geralmente é o tratamento de escolha, com a tonsilectomia ou a adenotonsilectomia resultando em taxa de sucesso de 80%. No entanto, em adultos a cirurgia não é tão bem-sucedida, por isso, na maioria com SAOS significativa, realizam-se procedimentos de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que normalmente são colocados com uma máscara via nasal. O CPAP nasal funciona predominantemente como uma tala pneumática para manter a permeabilidade das vias aéreas durante o ciclo respiratório. Normalmente, a pressão é regulada durante a PSG para eliminar as apneias obstrutivas, as hipopneias e os roncos. A CPAP é uma terapia extremamente eficaz e tem sido apresentada para reduzir a pressão arterial sistêmica e a pressão arterial pulmonar, reduzir as internações subsequentes, melhorar a qualidade de vida e diminuir a sonolência. Aparelhos dentários para SAOS têm inserções de polímero ligando a maxila à mandíbula, e o uso da maxila como uma âncora para projetar a mandíbula. Estes não são tão eficazes como a CPAP, mas, muitas vezes, são preferidos pelos doentes e representam uma alternativa razoável para pacientes com graus mais leves de SAOS ou aqueles intolerantes com a CPAP.

Outras formas de distúrbios respiratórios do sono incluem apneia com o sono central (incluindo a respiração de Cheyne-Stokes), síndromes de hipoventilação e hipoxemia relacionada com o sono. A apneia do sono central é definida pelas apneias recorrentes durante o sono associadas a falta de fluxo de ar e esforço. Em geral, isso é observado em pacientes com distúrbios do sistema nervoso central, aqueles com insuficiência cardíaca ou pacientes que tomam medicamentos narcóticos de ação prolongada. Síndromes de hipoventilação incluem síndrome de hipoventilação alveolar central congênita, síndrome de hipoventilação por obesidade, cifoescoliose e distúrbios neuromusculares (p. ex., distrofia muscular). Muitos desses pacientes podem ser tratados com ventilação não invasiva via máscara nasal. A hipoxemia relacionada com o sono pode ocorrer em inúmeros distúrbios pulmonares, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística e fibrose pulmonar idiopática. Oxigênio suplementar normalmente é prescrito após a confirmação de baixa saturação de oxigênio realizada por oximetria noturna.

 

1Nota da Revisão Científica: Anatomicamente, o mediastino é dividido em superior e inferior, subdividindo o espaço inferior em anterior, médio e posterior. A divisão comentada aqui é radiológica e clínica.

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