Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Broncoscopia flexível
Os avanços no campo da análise de ar exalado requerem estreita colaboração multidisciplinar. Um bom exemplo de como a colaboração entre profissionais técnicos, médicos e da área comercial resultou em uma ferramenta clinicamente útil é a determinação do NO no ar expirado para monitorar a inflamação das vias respiratórias. O advento dos analisadores de quimioluminescência no início da década de 1990 permitiu a detecção de baixos níveis (ppb) de NO no ar exalado. Isso foi rapidamente seguido pela observação de que pacientes com asma apresentavam concentrações de NO superiores ao normal em seu ar exalado, o que posteriormente foi associado a uma inflamação eosinofílica das vias respiratórias. A padronização dos métodos de coleta dos gases e das técnicas de determinação permitiu à indústria construir a próxima geração de analisadores adequados para utilização na prática clínica. Em 2003, a Food and Drug Administration aprovou o primeiro desktop analisador para o monitoramento da inflamação das vias respiratórias em indivíduos com asma.
O uso do NO exalado no monitoramento da asma é útil por diversas razões. Não é invasivo, pode ser executado repetidas vezes, sendo viável sua utilização em crianças e pacientes com obstrução grave do fluxo respiratório, nos quais é difícil, ou até mesmo impossível, pôr em prática outras técnicas. O NO exalado também pode ser mais sensível do que os testes atualmente disponíveis para detectar eventual inflamação das vias respiratórias, o que pode permitir a otimização do tratamento.
Broncoscopia flexível
FIGURA 3-21
O exame endoscópico da árvore traqueobrônquica é um procedimento essencial no diagnóstico e no tratamento de pacientes com doenças pulmonares e das vias respiratórias. Embora a broncoscopia rígida seja realizada desde 1897, o primeiro broncoscópio flexível foi introduzido em 1968. A principal vantagem do broncoscópio flexível é permitir a visualização e a amostragem das lesões periféricas que não podem ser alcançadas com a utilização de um instrumento rígido. Além disso, enquanto a broncoscopia flexível pode ser realizada com anestesia tópica e sedação moderada em uma sala de endoscopia ou unidade de terapia intensiva, a broncoscopia rígida requer anestesia geral e, em geral, é realizada na sala de cirurgia. Inicialmente, os broncoscópios flexíveis usavam cabos de fibra ótica para enviar luz para dentro e fora das vias respiratórias periféricas. Com a miniaturização dos dispositivos eletrônicos, o primeiro videobroncoscópio foi introduzido em 1987. A tecnologia de vídeo oferece uma imagem incrivelmente nítida para ser exibida em múltiplos monitores e permite que o operador capture tanto as imagens como o vídeo.
O diâmetro externo do broncoscópio flexível varia de 2,7mm a 6,3mm de diâmetro. O diâmetro do canal de trabalho varia de 1,2mm a 3,2mm. Um canal de trabalho de 2,8mm ou maior é mais recomendado para a broncoscopia flexível terapêutica porque permite melhor sucção e a passagem de instrumentos maiores. É importante notar a anatomia correspondente na ponta do broncoscópio. Por convenção, como visto pela perspectiva do operador, a câmera está em 9 horas, e o instrumento e o canal de sucção estão em 3 horas. Esses pontos de referência desempenham papel importante durante a navegação das vias respiratórias, e às vezes o broncoscópio precisa ser rotacionado para melhor visualização do alvo pretendido.
Como ocorre em todos os procedimentos, é essencial traçar cuidadosamente a história, bem como realizar o exame físico do paciente. O operador deve ter um planejamento quanto ao que precisa ser feito e comunicá-lo ao pessoal de apoio. O consentimento informado é necessário, e os pacientes devem ser monitorados quanto à política local para sedação moderada. Isso porque pode ocorrer hipoxemia durante a broncoscopia, e todos os pacientes devem receber oxigênio suplementar. Uma anestesia tópica adequada é essencial para reduzir o desconforto do paciente, e a dose total de lidocaína deve ser mantida a menos de 8mg/kg em adultos. Não se recomenda pré-medicação com medicamentos anticolinérgicos.