Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Tumores benignos do pulmão
Os carcinomas mucoepidermoides respondem por menos de 1% dos tumores pulmonares. Eles compõem uma porção significativa dos tumores endobrônquicos nas crianças. Esses tumores tendem a ocorrer centralmente na árvore traqueobrônquica. Os tumores são classificados em baixo e alto grau, com base na histologia. Os tumores de alto grau são raros e apresentam um prognóstico significativamente pior. As apresentações clínica e radiográfica desse tumor são semelhantes àquelas observadas nos carcinomas adenoides císticos, sendo a broncoscopia o método diagnóstico mais comumente utilizado. O tratamento de eleição é a ressecção cirúrgica. Tumores de baixo grau realizam metástase em 5% ou menos dos casos. Tumores de alto grau são tratados de forma semelhante aos cânceres de pulmão do tipo não pequenas células e apresentam um prognóstico ruim. A taxa de sobrevida global para o carcinoma mucoepidermoide removido cirurgicamente é de 80% a 90% em 5 anos. Pacientes com carcinoma mucoepidermoide têm uma sobrevida melhor do que a dos pacientes com carcinoma adenoide cístico.
Tumores benignos do pulmão
FIGURA 4-59
Granulomas pulmonares constituem a causa mais comum dos nódulos pulmonares benignos e são uma sequela de infecção. A segunda causa mais comum de tumor benigno é o hamartoma, composto por proporções variáveis de tecidos mesenquimais, incluindo tecido muscular liso, tecido adiposo e tecido conjuntivo e cartilagem. A incidência na população é de 0,25%, com predominância duas a quatro vezes maior no sexo masculino. A maioria dos hamartomas ocorre na periferia do pulmão e se apresenta como um nódulo pulmonar solitário assintomático. As bordas do tumor são tipicamente lisas. Aproximadamente 10% dos casos ocorrem endobronquicamente e podem apresentar-se com sintomas de tosse, respiração ofegante, dispneia ou pneumonia obstrutiva. A presença de calcificações com “aspecto em pipoca” quando da radiografia torácica ou da tomografia computadorizada (TC) compõe um padrão clássico, porém este está presente somente em uma pequena porcentagem dos casos. A presença de gordura durante a realização de TC torácica com cortes finos, ou de gordura alternando-se com áreas de calcificação, é diagnóstica desse tipo de alteração, porém muitos hamartomas não possuem nenhum desses achados. Devido à sua localização periférica, a broncoscopia geralmente não é diagnóstica. A tomografia por emissão de pósitrons (PET) é negativa para o aumento da atividade metabólica. Por causa dos resultados diagnósticos indeterminados, muitos desses tumores são tratados por ressecção cirúrgica, apesar da ausência de necessidade de remover os tumores localizados perifericamente e que são assintomáticos caso possuam a aparência radiográfica já discutida.
Tumores fibrosos solitários ocorrem em várias localizações anatômicas, incluindo a pleura, e podem apresentar-se como uma massa no tórax. Chamados previamente de mesotelioma benigno localizado (atualmente, a utilização desse termo é desencorajada), não têm associação com a exposição aos asbestos, e 80% a 90% dessas lesões são benignas e não se disseminam. Trata-se de um tumor incomum, composto pela proliferação de células mesenquimais fusiformes, cuja origem, acredita-se, é fibroblástica, surgindo a partir da pleura visceral, porém também pode surgir a partir do parênquima pulmonar ou do mediastino. Em geral, o tumor é detectado como um nódulo ou uma massa assintomática durante a realização de uma radiografia torácica. Alguns pacientes podem apresentar tosse, dispneia ou dor no peito. Raramente os pacientes apresentam osteoartropatia pulmonar hipertrófica ou hipoglicemia sintomática causada pela produção de fator de crescimento semelhante à insulina. É mais provável observar esses sintomas tardios quando o tumor se apresenta relativamente grande. Não existem características radiográficas diagnósticas, e os resultados da PET são geralmente negativos ou apresentam baixo nível de captação. A broncoscopia não é diagnóstica por causa da origem pleural dessas lesões, e as biópsias com agulha transtorácica não são confiáveis para se obter um diagnóstico definitivo. O tratamento de eleição é a ressecção cirúrgica. Recorrência local ocorre em 10% a 15% dos casos.
Os condromas são tumores raros de cartilagem. Em geral, ocorrem em pacientes do sexo feminino com a tríade de Carney do tumor gastrointestinal estromal, condroma pulmonar e paraganglioma. Condromas pulmonares geralmente são assintomáticos, a menos que sejam numerosos ou tenham um tamanho muito grande. Ocasionalmente, podem causar pneumonia obstrutiva. Radiograficamente, eles se apresentam como tumores bem delimitados, geralmente múltiplos e calcificados, ou possuem calcificações em “aspecto de pipoca”. Se os tumores pulmonares forem assintomáticos, então não há razão para o tratamento. Tumores sintomáticos podem requerer ressecção cirúrgica.
O tumor inflamatório miofibroblástico, previamente denominado pseudotumor inflamatório ou granuloma plasmocítico, é composto por uma mistura de colágeno, células inflamatórias e células fusiformes citologicamente brandas demonstrando diferenciação miofibroblástica. Ocorre em todas as idades, com uma distribuição por gênero equilibrada. Trata-se do tumor pulmonar mais comum durante a infância e pode apresentar um componente endobrônquico importante. Os sintomas podem incluir tosse, dispneia, febre e perda de peso. Alguns pacientes são assintomáticos. A maioria desses tumores apresenta-se solitariamente no parênquima pulmonar, porém, ocasionalmente, podem envolver a parede torácica ou o mediastino. Em geral, a massa é bem delimitada, lobulada ou lisa, porém bordas irregulares são observadas em 20% dos casos. Calcificação pode estar presente, enquanto cavitação raramente tem sido relatada. A ressecção cirúrgica completa é o tratamento de eleição, apresentando sobrevida excelente em longo prazo, chegando a 90% em 5 anos em uma série documentada. Pode ocorrer recorrência local caso se realize uma ressecção incompleta.