Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Visão geral do câncer de pulmão
FIGURA 4-48
O câncer de pulmão é a causa mais comum de morte por câncer no planeta, com casos de morte totais estimados pelo GLOBOCAN da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) em 1,18 milhão. Nos Estados Unidos, havia uma estimativa de 222 mil casos diagnosticados e de 157 mil para 2010. O câncer de pulmão é uma doença letal com apenas 6% de todos os novos casos sobrevivendo por um período de 5 anos nos Estados Unidos. Na Europa, a taxa média de sobrevida de 5 anos se dá em 10% dos casos e, nos países em desenvolvimento, em 8,9%. O câncer de pulmão provoca mais mortes do que os quatro outros cânceres mais comuns juntos (colorretal, mama, próstata e pâncreas). Esses números são atordoantes, especialmente porque era uma doença rara no início do século XX.
O hábito de fumar cigarros foi identificado como o agente etiológico isolado mais comum e estima-se que esteja relacionado com 85%-90% de todos os casos. O gás radônio foi documentado como causador de cânceres de pulmão em 10% dos casos. Outros agentes etiológicos apresentam menor frequência e estão primariamente relacionados com exposições ocupacionais (p. ex., arsênico, asbestos, cromo, níquel, carvão, alcatrão). Para obter uma lista completa dos agentes carcinogênicos para os seres
humanos, consulte a IARC (HTTP://monographs.iarc.fr). Fumantes passivos apresentam um risco aumentado em 30% para desenvolver câncer de pulmão ou risco relativo 1,3 vez maior em relação a um indivíduo que nunca foi exposto passivamente. O risco de desenvolvimento de câncer de pulmão aumenta com a idade. Menos de 5% dos casos de câncer de pulmão ocorrem antes dos 40 anos, e a idade média ao diagnóstico nos Estados Unidos é de 68 anos. O histórico familiar (genética) é um fator de risco responsável por cerca de duas a três vezes mais na incidência de câncer de pulmão nos casos em que já houve diagnóstico em um parente de primeiro grau, especialmente se não apresentava idade avançada. A predisposição genética ao desenvolvimento de câncer de pulmão é objetivo de intensa pesquisa, porém, até o presente momento, não se identificou o gene envolvido no desenvolvimento de câncer de pulmão. O gene 15q24-25 envolve o gene do receptor nicotínico de acetilcolina, que desempenha papel fundamental no vício da nicotina e tem sido associado ao risco de desenvolvimento de câncer de pulmão. Entretanto, é incerto o fato de esse gene estar diretamente relacionado ou não com o câncer, independentemente do uso de nicotina.
Evidências esmagadoras sugerem que o hábito de fumar cigarros é a principal causa do câncer de pulmão. Nos países ocidentais, a epidemia de câncer de pulmão é paralela à incidência do hábito de fumar, porém é retardada em cerca de 20 a 30 anos. O risco relativo entre os fumantes, em comparação com pessoas que nunca fumaram, é cerca de 10 a 15 vezes maior, e depende da idade em que se inicia o hábito de fumar, da dosagem e da duração (maços/ano). Parar de fumar demonstrou diminuir o risco relativo, mas não retorna àquele de uma pessoa que nunca fumou, a menos que o vício seja abandonado quando ainda jovem. O hábito de fumar tabaco aumenta o risco para todos os principais tipos celulares nos tecidos, mas a principal associação ocorre com pequenas células e células escamosas e, com menos intensidade, com adenocarcinomas. O principal histotipo de um não fumante é o adenocarcinoma.
Nas mulheres, a frequência de câncer no pulmão aumentou significativamente na maioria dos países ocidentais nas últimas quatro a cinco décadas. Globalmente, ainda é uma doença predominantemente masculina (razão masculino: feminino, 2-3: 1). Entretanto, nos Estados Unidos as mulheres constituem 45% de todos os novos diagnósticos de câncer de pulmão. O câncer de pulmão ultrapassou o câncer de mama como a principal causa de morte, fato alcançado em meados dos anos 1980. Atualmente, 72 mil mulheres morrem de câncer de pulmão contra 40 mil mortes por câncer de mama por ano. Embora exista certa controvérsia, estudos recentes não demonstraram diferença no risco entre homens e mulheres que fumaram uma quantidade semelhante de cigarros. Não há evidências de predomínio étnico na suscetibilidade a essa doença.
Os sinais e sintomas do câncer de pulmão são muitos, porém os mais comuns são tosse, dispneia, hemoptise, dor no peito ou perda de peso. Sintomas paraneoplásicos do câncer de pulmão são discutidos posteriormente. O câncer de pulmão sintomático resulta em uma radiografia torácica anormal. Aproximadamente 15% a 20% dos cânceres de pulmão são assintomáticos e, quando são detectados, isso ocorre acidentalmente, por meio de uma radiografia torácica ou tomografia computadorizada realizada por outras razões. Os métodos diagnósticos incluem citologia do esputo, toracocentese no caso em que o líquido pleural esteja presente, broncoscopia, aspiração utilizando agulha transtorácica ou aspiração com agulha fina e biópsia de sítios metastáticos distantes. Em alguns casos, o diagnóstico é feito no momento da ressecção cirúrgica.