Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Lesões laríngeas comuns

A classificação da tosse em aguda (< 3 semanas), subaguda (3-8 semanas) e crônica (> 8 semanas) tornou-se uma das partes mais importantes de sua avaliação, uma vez que ela restringe o espectro de

potenciais possibilidades diagnósticas (Fig. 4-10). As causas mais comuns de tosse aguda incluem infecções no trato respiratório superior (IRS; p. ex., o resfriado comum), sinusite bacteriana, infecção por Bordetella pertussis, exacerbação da asma, bronquite crônica, rinite alérgica e rinite ambiental irritativa. As causas mais comuns de tosse subaguda incluem tosse pós-infecção (p. ex., após a infecção por B. pertussis), sinusite bacteriana e exacerbação de condições preexistentes, tais como asma, doença rinossinusal, bronquiectasia e bronquite crônica. As causas mais comuns para a tosse crônica incluem a síndrome da tosse de vias aéreas superiores causada por uma diversidade de condições rinossinusais, asma, bronquite eosinofílica não asmática, DRGE, bronquite crônica e bronquiectasia.

Quando o clínico segue sistematicamente um protocolo diagnóstico validado e prescreve o tratamento específico nas doses adequadas direcionadas à(s) causa(s) presumida(s), a tosse diminuirá ou desaparecerá na maioria dos casos. Em pelo menos 20% das vezes, a tosse crônica é causada por múltiplas condições que contribuem simultaneamente. As causas para a tosse podem ser determinadas apenas quando há resposta ao tratamento específico.

 

Lesões laríngeas comuns

FIGURA 4-11

 

Nódulos nas pregas vocais, pólipos e cistos são causas comuns de rouquidão em pessoas com altas demandas de voz, como professores, cantores e crianças mais jovens. O uso excessivo ou abusivo da voz causa trauma repetitivo e inflamação na camada superficial da lâmina própria (espaço de Reinke), conduzindo à formação de lesões subepiteliais que afetam a prega vocal membranosa (anterior). O efeito de massa dessas lesões prejudica a vibração da prega vocal e interrompe o fluxo de ar entre as pregas vocais durante a fonação, levando à rouquidão. O tratamento requer uma abordagem multifacetada, incluindo eliminação de comportamentos vocalmente abusivos; otimização da higiene da laringe; e terapia médica para condições inflamatórias associadas, como alergia, infecção e refluxo faringolaríngeo. A excisão cirúrgica utilizando técnicas fonomicrocirúrgicas modernas são indicadas para o caso de lesões persistentes que não respondem a medidas conservadoras.

Os granulomas de laringe são lesões inflamatórias decorrentes do processo vocal da cartilagem aritenoide na prega vocal cartilagínea (posterior). Eles podem ser unilaterais ou bilaterais. A causa mais comum é a intubação endotraqueal, e o termo granuloma de intubação tem sido utilizado previamente. A pressão do tubo endotraqueal causa inflamação e erosão do pericôndrio fino que recobre o processo vocal da cartilagem aritenoide, levando à formação do granuloma. Outras causas comuns incluem tosse crônica ou pigarro, uso excessivo da voz e refluxo faringolaríngeo. Em geral, essas lesões regridem espontaneamente depois de um trauma localizado ou condição inflamatória oculta tratada. A excisão cirúrgica com bisturi ou laser de CO é reservada para lesões refratárias ou 2 granulomas grandes que obstruem a via glótica posterior.

A papilomatose respiratória recorrente (PRR) é um doença de origem viral caracterizada por lesões exofíticas múltiplas do trato aerodigestivo, tanto em crianças como em adultos. O envolvimento laríngeo é comum, levando a rouquidão progressiva e comprometimento das vias respiratórias. A propagação extralaríngea para a traqueia e os pulmões é menos comum, mas está associada ao aumento da morbidade e da mortalidade potencial. O início da PRR pode ocorrer durante a infância ou na idade adulta, com uma distribuição etária bimodal demonstrando o primeiro pico em crianças menores de 5 anos e o segundo pico na faixa etária dos 20 aos 30 anos. A PRR de início juvenil é mais comum e é a forma mais agressiva da doença. Nesse caso, há da transmissão vertical do vírus do papiloma humano de uma mãe infectada através do útero ou durante o parto. Embora benignas, essas lesões são uma fonte significativa de morbidade por causa de sua localização no interior das vias respiratórias superiores e inferiores, da frequência com que recorrem, a despeito do agressivo tratamento médico e cirúrgico, e do potencial para degeneração maligna ao longo do tempo.