Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Histiocitose pulmonar de células de Langerhans
Esclerose tuberosa
A esclerose tuberosa (TSC) é uma doença autossômica dominante rara que afeta, igualmente, homens e mulheres. Retardo mental, convulsões e angiofibroma facial (adenoma sebáceo) formam a clássica tríade clínica. Até 30% dos pacientes com TSC do sexo feminino apresentam alterações císticas pulmonares consistentes com LAM (TSC-LAM). Em pacientes com TSC-LAM, a análise do DNA do sangue periférico revela uma única mutação tanto em TSC1 quanto em TSC2, e as células LAM no pulmão revelam um segundo hit (supressão) ou a perda de heterozigosidade para o alelo normal. O envolvimento pulmonar em TSC apresenta um prognóstico ruim.
Histiocitose pulmonar de células de
Langerhans
FIGURA 4-154
A histiocitose pulmonar de células de Langerhans (HPCL) afeta principalmente o pulmão de adultos jovens idade entre 20 a 40 anos. A raça branca é comumente mais afetada do que os indivíduos de ascendência africana ou asiática. A patogênese da HPCL é desconhecida. A quase total associação da HPCL com o tabagismo implica fortemente um papel causal.
A apresentação clínica é variável, desde um estado assintomático (∼ 16%) a uma condição rapidamente progressiva. Em geral, a doença tem início menos de 1 ano antes do diagnóstico. A manifestação clínica mais comum é tosse (56% a 70%), dispneia (40% a 87%), dor no peito, que é frequentemente pleurítica (10% a 21%), fadiga ( ∼ 30%), perda de peso (20% a 30%) e febre (15%). O pneumotórax ocorre em cerca de 25% dos pacientes e, ocasionalmente, é a primeira manifestação da doença. A hipertensão pulmonar é comum. A hemoptise ocorre em aproximadamente 13% dos casos, devendo ter pronta consideração em infecção ou malignidade sobreposta. Além disso, a diabetes insipidus, secundária ao envolvimento hipotalâmico, pode estar presente em aproximadamente 15% dos pacientes, representando indicativo um prognóstico pior. Lesões ósseas císticas estão presentes em 4% a 20% dos pacientes e podem apresentar dor localizada ou uma fratura patológica. Com frequência, o resultado do exame físico é normal. Exames laboratoriais de rotina são inespecíficos.
As características radiológicas variam de acordo com o estágio da doença. A combinação de opacidades reticulares ou nodulares mal definidas ou nódulos estrelados (tamanho de 2-10mm), cistos na área superior ou faveolamento, preservação do volume pulmonar e os angulos costofrênicos poupados são altamente específicos para HPCL. A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) escaneia o pulmão, revelando uma combinação de nódulos e cistos de paredes finas com predominância nas áreas superior e média. Um espessamento intersticial em um fumante jovem é tão característico que pode ser o diagnóstico de HPCL. A série de TC do tórax sugere uma sequência progressiva de nódulos a nódulos cavitados para lesões císticas.
Fisiologicamente, a mais importante e frequente anormalidade da função pulmonar é a acentuada redução da DL (capacidade de difusão do CO
monóxido de carbono), mas variados graus de doença restritiva, limitação do fluxo de ar e a redução da capacidade de exercício são descritos. Enquanto a doença predominantemente nodular geralmente está associada a testes de função pulmonar normais ou restritivos, é mais provável que a doença cística esteja associada à limitação do fluxo de ar e à hiperinflação. Limitações na atividade e intolerância ao exercício com anormalidades da função pulmonar fora de proporção estão comumente presentes. Com o aumento dos exercícios, anormalidades nas trocas gasosas com reflexo no agravamento da diferença alvéolo-arterial de oxigênio são observados na maior parte dos pacientes.