Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Tosse crônica

A lobectomia é indicada para pacientes que apresentam insuficiência respiratória progressiva, e a lobectomia precoce é necessária em crianças que manifestam dificuldade respiratória significativa durante o período neonatal. Pacientes que apresentam sintomas relativamente discretos ou diagnosticados durante a avaliação radiográfica do tórax podem ser submetidos a um tratamento conservador.

 

Tosse crônica

FIGURA 4-10

Pessoas saudáveis raramente tossem. Quando o fazem, isso se dá independentemente de qualquer significado clínico. Entretanto, quando a tosse está presente e é persistentemente problemática, pode assumir um significado clínico de grande importância. Apesar de a tosse poder tornar-se um importante fator na disseminação de infecções, essa não é a razão pela qual os pacientes procuram assistência médica e gastam dinheiro com medicamentos. Eles fazem isso porque a tosse afeta adversamente sua qualidade de vida em diferentes instâncias relacionadas com pressões, velocidades e energia que são geradas durante um acesso vigoroso de tosse. Embora pressões intratorácicas acima de 300mmHg, velocidades expiratórias superiores a 28.000cm/seg ou 800km/h (ou seja, 85% da velocidade do som) e energia intratorácica superior a 25J permitam que a tosse represente um meio efetivo de limpar as secreções excessivas e expulsar materiais estranhos presentes no trato respiratório inferior e de fornecer ressuscitação cardiopulmonar, essas consequências fisiológicas podem levar a complicações físicas e psicossociais. A gama de complicações abrange consequências cardiovasculares, sintomas constitucionais, gastrointestinais, genitourinários, musculoesqueléticos, neurológicos, oftalmológicos, psicossociais, de qualidade de vida, respiratórios e dermatológicos.

Incontinência urinária, fraturas de costela, síncope e complicações psicossociais como consciência e medo de doenças mais sérias representam um incômodo. Incontinência urinária induzida por tosse é particularmente problemática nas mulheres, especialmente quando elas envelhecem e naquelas que já têm filhos. Fraturas de costela induzidas por tosse podem ocorrer na ausência de osteoporose e, em geral, acontecem posterolateralmente, onde o músculo serrátil anterior se interconecta com o músculo latíssimo do dorso. A síncope causada pela tosse pode ser repentina caso o esforço cause uma onda de concussão no fluido cerebroespinal, ou mesmo mais gradual, devido a uma hipotensão causada pela diminuição no débito cardíaco.

Atualmente, o gerenciamento da tosse como um sintoma foi proclamado pela descrição de uma maneira sistemática de se avaliar a tosse com base na neuroanatomia do ramo aferente do reflexo da tosse e a respectiva classificação apoiada em sua duração. Ambos os conceitos foram validados

(Fig. 4-10).

Tal qual originalmente proposto, a avaliação sistemática das localizações do ponto aferente do reflexo da tosse (abordagem diagnóstica anatômica) deveria ter a melhor chance de nortear o diagnóstico correto. Embora a tosse involuntária seja tradicionalmente pensada como algo relacionado apenas com a mediação pelo nervo vago, dados experimentais sugerem que outros nervos também podem estar envolvidos. A abordagem diagnóstica anatômica permitiu a descoberta de causas extrapulmonares de tosse como a síndrome da tosse de vias aéreas superiores causada por diversas condições rinossinusais e a tosse causada por doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) sem aspiração.