Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Ruptura traqueobrônquica

FIGURA 4-141

A ruptura da traqueia ou de brônquios principais geralmente é secundária a uma lesão não penetrante do tórax por impacto frontal causado por um mecanismo de alta energia em acidente automobilístico. Mais de 80% das rupturas se situam a 2,5cm da carina. Os mecanismos propostos para essa lesão incluem (1) compressão anteroposterior, com subsequente alargamento do diâmetro transversal que afasta os pulmões, produzindo tração sobre a traqueia no nível da carina; (2) compressão da traqueia e dos brônquios fontes entre o esterno e a coluna vertebral em um paciente com glote fechada que excede a elasticidade da porção membranosa da via aérea; e (3) lesão por desaceleração rápida no ponto de fixação relativa da carina que produz forças de cisalhamento. As lacerações da traqueia costumam ocorrer na junção entre a traqueia membranosa e a cartilaginosa. Uma ruptura de brônquio principal é tipicamente unilateral e mais comum no lado direito. A severidade do trauma fechado necessário para essas rupturas traqueobrônquicas geralmente está associada a lesões multissistêmicas da cabeça, abdome e extremidades.

A apresentação clínica aparece em dois padrões distintos, dependendo da presença de livre comunicação entre a ruptura da via aérea e a cavidade pleural. Na presença de comunicação livre, um grande pneumotórax está presente e, a despeito da inserção de um dreno por toracostomia, observa-se perda de ar persistente e vigorosa, e o pulmão não consegue reexpandir. A dispneia é proeminente, devido à perda do pulmão funcionante. Na ausência de comunicação com a cavidade pleural, o ar que escapa através de lesões traqueobrônquicas forma grandes enfisemas mediastinais e subcutâneos. Na ausculta, o sinal de Hamman pode ser evidente (um som de esmagamento sincronizado com o batimento cardíaco causado pelo enfisema mediastinal).

Em ambos os casos, também se observa hemoptise significativa. O embolismo gasoso também é uma consequência potencialmente letal que deve ser prontamente tratada com toracotomia de emergência e pinçamento cruzado do hilo pulmonar no lado afetado.

É importante realizar o pronto diagnóstico de uma lesão traqueobrônquica, e a broncoscopia é o método mais preciso para se estabelecerem o diagnóstico e a necessidade de se efetuar uma toracotomia de urgência. Se a ruptura tem menos um terço de circunferência, particularmente quando confinada à porção membranosa, o tratamento conservador é apropriado quando o dreno por toracostomia resulta em expansão total do pulmão, sem persistência do escape de ar. Indica-se o reparo imediato da lesão traqueobrônquica. Se as lesões mais extensas não forem tratadas cirurgicamente, o brônquio cicatriza por granulação, levando a uma obstrução da via aérea, atelectasia e infecção pulmonar. Os detalhes da toracotomia e do reparo traqueobrônquico são tratados em outras sessões.