Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Asfixia traumática
FIGURA 4-142
A asfixia traumática é uma condição que resulta da força compressiva severa e mantida sobre o tórax. Ollivier recebeu o crédito pela primeira descrição da autópsia de uma síndrome de cianose cranial, hemorragia subconjuntival e ingurgitamento vascular da cabeça, que foram observados em uma pessoa esmagada até a morte por uma multidão em pânico em Paris. A síndrome foi denominada masque ecchymotique. Essa forma de lesão por esmagamento ocorre em associação com acidentes automobilísticos, acidentes industriais, condições de descontrole de multidão e atropelos ou qualquer tipo de trauma caracterizado por um objeto pesado caindo sobre o tórax, como um indivíduo que trabalha sob um carro que escorrega do macaco hidráulico ou uma criança presa sob uma porta de garagem. A síndrome também é vista nos colapsos de paredes em sítios de escavação ou em mergulhos profundos após explosões subaquáticas. A patogênese da asfixia traumática é atribuída a uma compressão súbita do coração entre a parede anterior e a coluna, gerando aumento de pressão no lado direito do coração, que é descomprimido pelo fluxo sanguíneo reverso para a veia cava superior e seus grandes ramos tributários, que não possuem válvulas. O ingurgitamento capilar maciço subsequente e a ruptura na região da cabeça, pescoço, ombros e tórax superior resultam na estagnação do sangue, que dessatura e resulta na característica descoloração azulada da pele. Pode haver edema intenso da face e do pescoço, bem como hemorragias petequiais da pele da face e conjuntiva. Postulou-se que a inspiração profunda e a obstrução transitória das vias aéreas exageram a hipertensão da veia cava superior. Esses eventos podem ocorrer como um reflexo na vítima que antecipa o impacto.
A asfixia traumática pode ser fatal, mas o prognóstico para aqueles que sobrevivem e chegam ao hospital é bom. É importante examinar o paciente em busca de outras lesões potencialmente letais associadas, como contusão pulmonar ou cardíaca e lesão da medula espinal, cérebro, fígado ou baço. Fraturas de costela e alterações visuais são comuns. Aproximadamente um terço dos pacientes com asfixia traumática experimenta perda de consciência ou outros achados neurológicos. O mais interessante é que, a despeito da aparência alarmante, muitos pacientes apresentam relativamente poucas queixas. Ocasionalmente, observa-se perda permanente da visão causada por hemorragia retiniana ou alterações transitórias provocadas pelo edema retiniano. Não há um tratamento efetivo para a asfixia traumática, mas a elevação da cabeceira do leito até 30 graus minimiza a hipertensão venosa, recomendando-se também o uso de oxigênio suplementar, a fim de acelerar a absorção do ar dentro do mediastino. Noventa por cento dos pacientes que sobrevivem às primeiras horas após a lesão se recuperam, mas os índices de sobrevivência variam, dependendo da prevalência e do grau das lesões associadas.