Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Manifestações pulmonares por outras doenças

A pneumonia eosinofílica crônica (PEC) é caracterizada pela eosinofilia no sangue periférico e pulmonar, tratando-se de uma síndrome muito mais indolente do que a PEA. Os pacientes mais frequentes são as mulheres a partir dos 40 anos, com asma e atopia. Ao contrário da PEA, a insuficiência respiratória aguda é extremamente rara, e os pacientes apresentam os sintomas por períodos de semanas a meses, e não de dias. Os sintomas respiratórios de tosse, sibilos e dispneia progressiva são a regra, e os sintomas constitucionais de febre baixa, sintomas semelhantes aos da gripe, perda de peso e sudorese noturna são comuns. Doenças extrapulmonares como artralgia, neuropatias e doenças da pele são incomuns, e sua presença sugere a síndrome de Churg-Strauss ou a síndrome hipereosinofílica (SH). A imagem do tórax é anormal, com opacidades bilaterais, periféricas e, muitas vezes, na base pleural que são frequentemente migratórias. Essa imagem padrão da radiologia e da tomografia torácica, referida como “negativo fotográfico do edema pulmonar”, é considerada o diagnóstico da PEC, mas está presente em não mais do que 25% dos pacientes. A eosinofilia sanguínea periférica e a do LBA são as regras. Em mais de 90% dos pacientes, os eosinófilos representam cerca de 30% dos glóbulos brancos totais do sangue periférico e cerca de 60% de células no LBA. Os níveis de IgE estão quase sempre aumentados, assim como a taxa de sedimentação de eritrócitos e a proteína C-reativa. A patologia pulmonar revela acúmulo de eosinófilos e histiócitos no espaço aéreo e no interstício, bem como áreas focais da pneumonia em organização. O tratamento é com corticosteroides, e a resposta frequentemente é rápida (dentro de 48 horas) e significativa, com completa resolução dos sintomas e anormalidades nas imagens torácicas e nos exames laboratoriais. Entretanto, ao contrário da PEA, é comum a reincidência, e mais de 50% dos pacientes são recorrentes devido à redução da dose de esteroide. Muitos necessitam de terapia por 6 meses ou mais.

 

Manifestações pulmonares por outras

doenças

FIGURA 4-163

 

 

Comumente, o pulmão é afetado por doenças de outros órgãos, e pode ser o órgão no qual as primeiras manifestações da doença se tornam aparentes. A suscetibilidade do pulmão em ser afetado pelas doenças de outros órgãos talvez se deva à sua rede capilar que filtra o sangue, à intrincada estrutura alveolar e à imunologia pulmonar altamente desenvolvida.

Exemplos comuns de doença pulmonar causada por doenças principalmente de outros órgãos são derrames pleurais, edema pulmonar, restrição pulmonar e doença vascular pulmonar. Os derrames pleurais podem ser vistos na insuficiência cardíaca, no hipotireoidismo, na insuficiência renal e em doenças imunológicas como o lúpus eritematoso sistêmico. A síndrome da angústia respiratória aguda pode ocorrer após septicemia e trauma, ou associada à gravidez, como com a terapia tocolítica (tratamento para inibir o trabalho de parto prematuro) ou a embolia por líquido amniótico. A doença pulmonar restritiva pode ser causada por doenças extrapulmonares, como fraqueza muscular, doença do neurônio motor e síndrome pós-pólio. A restrição também pode ser causada pela doença da parede torácica, como, por exemplo, cifoescoliose. A vasculatura pulmonar pode estar afetada por êmbolos de tumor decorrente de neoplasia maligna, êmbolos de gordura após trauma e líquido amniótico durante o parto. A seguir, os comentários discutem em mais detalhes as manifestações das doenças inflamatórias intestinais, doenças hepáticas e complicações pulmonares associadas ao transplante de células tronco hematopoiéticas (TCTH).

 

Manifestações pulmonares da doença

inflamatória intestinal

A doença pulmonar associada a colite ulcerativa e doença de Crohn só recentemente foi reconhecida. As manifestações são aquelas de inflamação das vias aéreas da glote para as vias aéreas terminais e de doenças do parênquima pulmonar. A origem embriológica do pulmão a partir do intestino anterior torna-o atraente para a ocorrência de reações inflamatórias entre o intestino e o pulmão. As comorbidades mais comuns relatadas nas doenças intestinais inflamatórias (DII) são asma ou bronquite e artrite. Doenças nas vias aéreas podem causar sintomas típicos da doença de vias aéreas, como tosse, dispneia ou sibilos, e produção de secreção purulenta, principalmente se bronquiectasia estiver presente. Uma grande variedade de doenças das vias aéreas e do parênquima pulmonar tem sido descrita associada a DII, com alta prevalência de alterações na função pulmonar presentes em pacientes com doença de Crohn ou colite ulcerativa. Até dois terços dos pacientes com DII apresentam função pulmonar anormal, e um quarto apresenta redução da DL . CO