Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Assegurar uma via aérea emergente
Para realizar a Manobra de Heimlich em um adulto de pé, o socorrista fica também de pé atrás da vítima.
1. O socorrista coloca um braço em volta da cintura da vítima e, com o
punho fechado, posiciona o polegar ao lado de seu outro punho logo acima do umbigo da vítima e bem abaixo da ponta do processo xifoide.
2. O socorrista envolve a cintura da vítima com seu braço livre e prende a
mão em seu punho fechado.
3. O socorrista dá uma única compressão, forte e rápida, para dentro e para
cima, ou um “empuxo”. Às vezes uma série de dois ou mais empuxos podem ser necessários.
Quase invariavelmente, a compressão faz com que o bolo alimentar ou o corpo estranho sejam ejetados por completo, ou “saiam” dali, ou então impulsionam o objeto para a boca, de onde é facilmente retirado.
A Manobra de Heimlich também pode ser realizada em uma vítima adulta que caiu no chão em decúbito supino. O socorrista simplesmente se ajoelha montando sobre o paciente ou transpõe a vítima e realiza a manobra através de uma compressão forte para dentro e para cima com a palma da mão, mantendo a posição de linha média. Os adultos também podem aplicar a manobra em si mesmos, tanto com seu próprio punho quanto pela autocompressão sobre a borda de uma cadeira, mesa ou outro objeto que duplique a força de um socorrista. Em crianças, o socorrista aplica a mesma técnica com o dedo indicador e o médio de uma ou de ambas as mãos, dependendo do tamanho da criança, quer com a criança em decúbito dorsal, quer em posição vertical, no colo do socorrista. Os bebês nunca devem ser mantidos de cabeça para baixo, e palmadas nas costas não devem ser utilizadas.
Assegurar uma via aérea emergente
FIGURA 5-19
A manutenção de uma via aérea patente é um apoio básico e uma manobra de ressuscitação, e todo médico deve ser capaz de inserir ou passar um tubo endotraqueal nas vias aéreas orofaríngeas ou nasofaríngeas, bem como realizar uma traqueostomia de emergência ou uma cricotirotomia. Existem muitas causas para a obstrução aguda das vias aéreas superiores, incluindo diminuição do tônus muscular da faringe após a perda de consciência; processo inflamatório ou infeccioso agudo, como angioedema, epiglotite ou angina de Ludwig; e tumores ou massas obstrutivas de faringe. Queimaduras por inalação, trauma de laringe e aspiração de corpo estranho também podem levar a uma obstrução aguda das vias respiratórias. Dependendo da causa específica e da gravidade do comprometimento das vias aéreas, diferentes manobras e técnicas podem ser implementadas para assegurar uma via aérea emergente.
A perda de consciência está associada ao relaxamento da musculatura da faringe, causando a queda da língua para trás e obstruindo a orofaringe. O simples reposicionamento com o pescoço estendido e a mandíbula tracionada para frente ajudam a abrir as vias aéreas. Se isso falhar, uma via aérea orofaríngea ou nasofaríngea pode ser utilizada para restabelecer as vias aéreas e permitir a continuidade de medidas de ressuscitação adequadas. Para o suporte ventilatório sustentado, a intubação endotraqueal é necessária. O tubo endotraqueal pode ser introduzido pela rota orofaríngea ou nasofaríngea. A intubação orofaríngea é a preferida, mas a intubação nasofaríngea pode ser necessária em casos de instabilidade da coluna cervival pós-traumática, redução da capacidade de abrir a boca (trismo) ou obstrução patológica que afeta a língua e o palato.
Sempre que possível, a intubação traqueal é o procedimento de escolha para a garantia e a manutenção em vias aéreas comprometidas. Infelizmente, às vezes não é possível realizá-la fora do ambiente hospitalar, e haverá momentos em que a intubação traqueal vai fracassar, apesar das múltiplas tentativas, até mesmo em mãos mais experientes. Nessas situações, uma via aérea cirúrgica deve ser estabelecida tanto pela traqueostomia como pela cricotireotomia. À exceção das crianças e dos pacientes obesos com sinais anatômicos ruins, a cricotireotomia é preferida à traqueostomia no quadro emergente. A cricotireotomia é realizada pela palpação do espaço cricotireóideo (entre as cartilagens tireoide e cricoide) na linha média do pescoço, fazendo-se uma incisão vertical através da pele e dos tecidos moles. A incisão transversal, então, é feita através da membrana cricotireóidea com a ponta da lâmina dirigida inferiormente, a fim de evitar lesões da laringe. Um pequeno tubo endotraqueal – ou qualquer objeto tubular disponível – é, então, inserido na via aérea.