Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Vistas broncoscópicas
O broncoscópio pode ser introduzido via transoral, transnasal ou através de um tubo endotraqueal ou de traqueostomia. Quando se passa o broncoscópio através da orofaringe, deve-se usar um bloco de mordida para impedir danos ao broncoscópio. Em geral, o operador se posiciona na frente do paciente, se ele estiver sentado ou semirreclinado, ou acima da cabeça do paciente, se ele estiver em posição supina. É essencial o conhecimento da anatomia da nasofaringe, orofaringe e laringe, assim como a completa compreensão da anatomia brônquica segmentar. É importante ter familiaridade com os controles do broncoscópio, a fim de permitir que a ponta seja bem dirigida, sem provocar danos ao instrumento ou à mucosa. O broncoscópio deve ser mantido em linha reta, pois qualquer curva irá limitar a transmissão de rotação da cabeça do broncoscópio para a ponta.
Muitas técnicas estão disponíveis durante a broncoscopia flexível para colher amostras das lesões centrais e das periféricas. É possível realizer biópsias endobrônquicas, escovações, lavagens e aspiração por agulha para se detectarem lesões visíveis. Da mesma forma, aspiração por agulha transbrônquica, biópsia transbrônquica, escovação e lavagem broncoalveolar são procedimentos adotados para visualizar lesões periféricas. Técnicas avançadas, como ultrassonografia endobrônquica, navegação broncoscópica virtual e navegação eletromagnética, podem aumentar o rendimento para a amostragem de lesões periféricas.
Complicações que requerem tratamento imediato incluem laringoespasmo e broncoespasmo, além de qualquer sangramento em quantidade maior do que a moderada. Um pneumotórax, dependendo de seu tamanho, pode requerer a colocação de drenos torácicos. Em geral, hipoxemia grave e disritmias ventriculares requerem a interrupção do procedimento.
Vistas broncoscópicas
FIGURA 3-22
Enquanto o broncoscópio está passando pela oro ou nasofaringe, a laringe e a árvore traqueobrônquica, deve-se dispensar especial atenção à mucosa, ao tamanho do lúmen e a qualquer diferença na anatomia esperada. A mucosa brônquica normal tem a tonalidade rosa-pálido, mas sua cor varia de acordo com a intensidade da fonte de luz. A superfície segue os contornos da traqueia e das paredes brônquicas e torna-se mais pálida na porção que recobre os anéis cartilaginosos. Uma pequena quantidade de muco e uma fina camada do fluido de revestimento da superfície refletem a luz do broncoscópio. Na traqueia e nos brônquios principais, a forma do lúmen é de um círculo incompleto ou de um arco com uma porção posterior membranosa; essa porção desaparece distalmente, assim como as vias respiratórias, inicialmente, tornam-se cercadas por placas cartilaginosas irregulares e, eventualmente, por tecido muscular concêntrico e elástico.
A inflamação pode ser difusa ou localizada. As mudanças endobrônquicas observadas são eritema, aumento da vascularização, edema, irregularidade da mucosa, produção aumentada de secreção e, ocasionalmente, ulceração. O edema pode levar à perda das proeminências cartilaginosas, do padrão da mucosa normal, e ao estreitamento dos orifícios bronquiais. O excesso de secreções pode ser mucoide ou purulento, variando de finas e aquosas a espessas e viscosas. A inflamação localizada acompanha carcinomas, tuberculose, corpos estranhos, pneumonia, bronquiectasia e formação de abcesso. A cura endobrônquica da inflamação pode levar à formação de uma cicatriz, a uma estenose permanente ou traqueobroncomalácia ou, ainda, ao colapso dinâmico excessivo das vias respiratórias. Novas tecnologias de imagem, como autofluorescência, banda estreita, tomografia de coerência óptica e microendoscopia confocal, permitem a visualização das mudanças subepiteliais, como a neovascularização. Algumas dessas modalidades podem permitir a visualização de organelas intracelulares e proporcionar uma “biópsia óptica” (ou seja, a identificação de patologias sem retirar amostras, a fim de proceder a uma visualização externa sob um microscópio).
Em geral, a compressão extrínseca é causada por malignidades, linfadenopatia, bócio da tireoide, corpos estranhos aspirados e anormalidades vasculares. A ultrassonografia endobrônquica tem-se demonstrado mais sensível do que a tomografia computadorizada de tórax para distinguir a compressão de invasão das vias respiratórias. A compressão extrínseca de qualquer causa pode reduzir o lúmen da via aérea o suficiente para causar atelectasia distal.