Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Glândulas submucosas dos brônquios

A célula em escova assemelha-se a um tipo similar de célula encontrada no intestino e nos seios paranasais. Sua função no trato respiratório ainda é desconhecida, mas as hipóteses relacionadas com a sua função incluem: vigilância imune, regeneração celular, quimiorreceptor, detector de líquido alveolar ou pressão do ar e regulador da resistência e da perfusão capilar.

A célula caliciforme (muco) é uma célula secretora que contém numerosos grânulos secretores grandes e confluentes. Estudos realizados com microscopia eletrônica mostraram que a confluência representa a fusão de duas membranas trilaminares de grânulos adjacentes para a produção de uma camada pentalaminar.

A célula serosa assemelha-se à célula serosa da glândula submucosa e contém pequenos grânulos secretores eletrodensos distintos. Seu citoplasma também é mais eletrodenso que o da célula de Clara.

A célula de Clara também contém pequenos grânulos eletrodensos distintos, mas, quando comparada à célula serosa, exibe um citoplasma eletrolucente, e há relativamente mais retículo endoplasmático liso que granuloso.

A localização da célula serosa é principalmente central; a célula de Clara é encontrada apenas distalmente. Essas são as células secretoras mais comuns das vias aéreas, mas fatores como irritação, reação a fármacos e infecção podem levar so aumento do número de células secretoras. Em seguida, as células serosas e as células de Clara transformam-se em células de muco. Células diferenciadas são vistas em mitose, mas é provável que esse não seja o principal mecanismo para o aumento do número de células.

A membrana basal é bem-definida e torna-se mais fina nas vias aéreas menores. Em algumas doenças – em especial na asma –, ocorre aumento da espessura da membrana basal reticular (lâmina reticular), embora sua estrutura permaneça normal.

Observam-se fibras nervosas no interior do epitélio. Elas são do tipo amielínicas e não possuem uma bainha de células de Schwann. O conteúdo de suas vesículas indica que as fibras são sensoriais ou motoras e colinérgicas ou adrenérgicas.

 

Glândulas submucosas dos brônquios

FIGURA 1-25

 

As glândulas submucosas das vias aéreas dos humanos são do tipo tubuloacinoso ramificado: túbulo refere-se à parte principal do túbulo secretor, e acinoso refere-se à extremidade em fundo cego desse túbulo.

A reconstrução tridimensional da glândula revela suas várias zonas: 1. A origem da glândula é denominada ducto ciliado e é revestida pelo

epitélio bronquial com sua população mista de células. A olho nu, a origem da glândula é vista como um orifício puntiforme no epitélio superficial do brônquio.

2. A segunda parte do ducto expande-se, formando o ducto coletor, e é

revestida por um epitélio colunar cujas células se tornam eosinofílicas depois de coradas com hematoxilina e eosina. A análise ultraestrutural mostra que essas células estão repletas de mitocôndrias, assemelhando-se às células do ducto estriado da glândula salivar (exceto pela ausência das pregas de membrana responsáveis pelo aspecto estriado). O ducto coletor pode ter até 0,25mm de diâmetro e 1mm de comprimento. O trajeto do ducto é oblíquo em relação ao lúmen da via aérea e, por essa razão, o corte macroscópico habitual não engloba todo o comprimento do ducto. Em geral, é visto como um “ácino” aumentado composto de células sem grânulos de secreção.

3. De cada ducto coletor, surgem cerca de 13 túbulos que estão

estreitamente entrelaçados e podem ramificar-se várias vezes. As células secretoras que revestem esses túbulos são de dois tipos: mucosas e serosas. As células mucosas revestem a parte central ou proximal de um túbulo, enquanto as células serosas revestem a parte distal. Das laterais dos túbulos mucosos, podem surgir evaginações ou túbulos colaterais curtos revestidos por células serosas. A porção periférica de um túbulo geralmente ramifica-se várias vezes, e as terminações em fundo cego são revestidas por células serosas.

O tecido glandular está em uma posição interna em relação à membrana basal. Além dos tipos celulares anteriormente descritos, é possível encontrar também: (1) células mioepiteliais; (2) células “claras”; e (3) fibras nervosas, que incluem fibras motoras. Do lado externo da membrana basal, há ricas redes vasculares e linfáticas e um plexo nervoso.

Nos cortes histológicos transversais, a glândula submucosa é vista como uma estrutura compacta. Em um brônquio principal de um adulto, a glândula tem cerca de 0,2mm de diâmetro ou menos de um terço da espessura da parede da via aérea (medido a partir da superfície luminal até a camada de cartilagem). Essa relação é similar em crianças e adultos e é uniforme ao longo das vias aéreas em vários níveis da ramificação. A relação entre o tamanho da glândula e a espessura da parede (às vezes denominada índice de Reid) é útil para se avaliarem as anormalidades no tamanho da glândula, porque a hipertrofia glandular é uma característica distintiva de várias doenças inflamatórias das grandes vias aéreas.