Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Pneumoconiose do minerador de carvão
Silicotuberculose
Pacientes com silicose parecem estar particularmente suscetíveis a uma forma crônica e indolente de tuberculose pulmonar. O diagnóstico pode ser difícil devido às alterações silicóticas. A erradicação completa do bacilo da tuberculose é considerada bastante difícil, e a terapia medicamentosa antituberculosa costuma ser recomendada durante toda a vida.
Nódulos de Caplan
Quando a silicose ou a pneumoconiose dos trabalhadores de carvão ocorrem em um paciente com artrite reumatoide, nódulos necrobióticos (nódulos reumatoides) podem desenvolver-se no pulmão, uma condição conhecida como síndrome de Caplan. Tipicamente, as lesões são grandes (> 1cm), arredondadas e bem definidas. Esses “nódulos de Caplan” em geral crescem mais rapidamente do que os nódulos silicóticos típicos e podem sofrer necrose central ou cavitação; eles também podem desaparecer espontaneamente. Os nódulos de Caplan têm pouca consequência clínica, mas podem causar grande preocupação com a possibilidade de tuberculose provocada por cavitação ou câncer de pulmão decorrente do crescimento rápido.
Pneumoconiose do minerador de carvão
FIGURA 4-106
A pneumoconiose do minerador de carvão (PMC) resulta da inalação da poeira respirável do carvão, que primeiro se aloja nos alvéolos e depois se acumula próximo aos bronquíolos respiratórios. Aqui, máculas de carvão se originam com formação limitada de tecido cicatricial, levando a doença dos bronquíolos respiratórios e enfisema focal. Assim como na maioria das doenças pulmonares causadas pelo acúmulo de partículas ou fibras minerais não depuráveis no pulmão, a PMC se desenvolve lentamente, durante décadas, e requer altos níveis de exposição. A doença se limita aos mineradores de carvão duro, em especial trabalhadores de minas subterrâneas, e àqueles que processam ou manipulam o carvão em locais com grande quantidade de poeira produzida pelo esmagamento ou pelo movimento de máquinas pesadas.
No final do século XIX e até meados do século XX, a PMC era comum nos Estados Unidos e na Europa, pois o carvão era amplamente utilizado como combustível industrial e doméstico. Nessa época, técnicas de mineração mecanizadas geraram grande quantidade de partículas respiráveis e não adotavam medidas de controle da poeira. O carvão é um carbono elementar, geralmente misturado a pequenas quantidades de minerais silícios. Nos túneis das minas, pode ser necessário perfurar e detonar através do granito ou de outra pedra com uma alta fração da sílica cristalina acompanhando a extração nos sulcos de carvão. Regulações de segurança ocupacional levaram a técnicas de corte com o uso de água, melhori da ventilação e uso de equipamentos robóticos que reduziram a poeira no ar e diminuíram o número de mineiros necessários na fase de corte. A PMC clinicamente significativa se tornou menos comum nas nações industrializadas, mas ainda é um grande problema de saúde nos países em desenvolvimento.
Trabalhadores com PMC inicial ou limitada evidenciam um padrão nas radiografias simples de tórax de pequenas opacidades nodulares difusas de 1 a 10mm de diâmetro, e não apresentam sintomas clínicos ou disfunção pulmonar. Uma pequena minoria de trabalhadores desenvolve doença progressiva com coalescência dos pequenos nódulos em grandes opacidades circundadas por bandas de fibrose densa e enfisema, geralmente com predominância em lobo superior. Essa doença avançada é considerada pneumoconiose complicada ou fibrose maciça progressiva (FMP). Ela está associada a restrição da capacidade vital, hiperdistensão do volume residual e, em geral, limitação significativa do fluxo de ar (um distúrbio misto). A capacidade de difusão pode estar reduzida no início da doença, e a hipoxemia é uma consequência tardia. Tosse e falta de ar ao esforço se agravam conforme a FMP progride.