Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Carcinoma de pequenas células do pulmão
FIGURA 4-53
O carcinoma de pequenas células é definido como um tumor epitelial maligno composto por pequenas células com citoplasma escasso. Caso outros tipos histológicos de carcinoma do tipo não pequenas células também estejam presentes, o tumor é classificado como um carcinoma combinado de pequenas células. Essa célula contém grânulos neuroendócrinos, e o tumor geralmente é considerado um neuroendócrino no topo do espectro de malignidade das neoplasias neuroendócrinas. Em geral, ele se cora positivamente para os marcadores neuroendócrinos CD56, cromogranina e sinaptofisina. Esse histotipo apresenta a maior associação com o hábito de fumar cigarros e raramente acomete que nunca fumaram. O histotipo de pequenas células responde por 14% de todos os cânceres de pulmão (13% nos homens e 15% nas mulheres), de acordo com a base de dados do setor de Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais
(http://seer.cancer.gov). Esse histotipo geralmente apresenta a taxa de crescimento mais rápida, além de certa tendência a se disseminar precocemente.
O carcinoma de pequenas células tem localização central na maioria dos casos e, por esse motivo, se apresenta em conjunto com sintomas de tosse, hemoptise, dor no peito ou pneumonia obstrutiva. Devido à sua tendência de disseminação precoce, muitos indivíduos apresentam sinais e sintomas de metástase regional ou a distância. A disseminação para os linfonodos mediastínicos pode resultar em rouquidão ou em mudança da voz causada por paralisia nas pregas vocais, disfagia esofágica provocada por compressão ou síndrome da veia cava superior (discutida adiante). Sintomas causados por metástases cerebrais, ósseas ou hepáticas podem ser os primeiros sinais da doença. O carcinoma de pequenas células é o histotipo mais comumente associado a síndromes paraneoplásicas (discutido mais adiante).
Dez por cento ou menos dos carcinomas de pequenas células apresentam-se como massas periféricas ou nódulos pulmonares solitários. Metástases nos linfonodos supraclaviculares podem estar presentes e funcionam como uma fonte de fácil acesso para a realização do diagnóstico com base no tecido. A citologia do esputo raramente é positiva. A broncoscopia é o método mais comum de diagnóstico. Com frequência, o tumor se situa na submucosa, impedindo as biópsias broncoscópicas de alcançar um diagnóstico caso não se obtenham amostras submucosas profundas. A citologia do líquido pleural pode ser diagnóstica. Entretanto, na maioria dos casos, o líquido pleural está presente devido a uma efusão parapneumônica, que não é causada pela disseminação maligna de células para o espaço pleural.