Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Ultraestrutura do epitélio da traqueia, dos brônquios e dos bronquíolos

Inervação

Na parede das vias aéreas, observam-se nervos grandes – mielinizados e não mielinizados. Nervos motores inervam as glândulas e os músculos das vias aéreas. Também já foram descritas terminações nervosas intraepiteliais que provavelmente consistem em fibras sensoriais, porém não se sabe se também existem terminações nervosas motoras no nível epitelial.

À medida que o lúmen das vias aéreas vai-se afunilando enquanto se aproxima da periferia e as paredes dessas vias vão-se tornando mais finas, as vias aéreas pequenas relacionam-se mais estreitamente com os alvéolos circundantes. É provável que a interação funcional entre ambos seja muito importante nesse nível, e a inflamação dissemina-se facilmente através das paredes das vias aéreas pequenas.

 

Ultraestrutura do epitélio da traqueia, dos

brônquios e dos bronquíolos

FIGURA 1-24

O revestimento que predomina nas vias aéreas respiratórias é o epitélio colunar pseudoestratificado ciliado, no qual todas as células se fixam à membrana basal, mas não alcançam o lúmen. Nas vias aéreas periféricas menores, o epitélio pode ser constituído de uma única camada espessa e cuboide em vez de colunar, porque não há células basais nesse nível.

As células ciliadas estão presentes até mesmo nas menores vias aéreas e bronquíolos respiratórios, onde estão adjacentes às células do revestimento alveolar. A “escada rolante ciliar” começa no ponto mais distal do epitélio das vias aéreas. Nas vias aéreas menores, os cílios não são tão altos quanto nas vias aéreas mais centrais. Nos humanos, é possível identificar oito tipos de células epiteliais, embora as características ultraestruturais e a cinética celular tenham sido estudadas principalmente em animais. A classificação apresentada adiante se baseia em estudos com ratos: (1) as células basais e (2) as células neuroendócrinas fixam-se na membrana basal, mas não alcançam o lúmen; (3) é provável que as células intermediárias sejam precursoras que se diferenciam em (4) células ciliadas, (5) células em escova ou em uma das células secretoras – (6) a célula caliciforme (muco), (7) a célula serosa ou (8) a célula de Clara.

A célula basal divide-se, enquanto as células-filhas seguem para a camada superficial.

A célula neuroendócrina pulmonar (PNEC, pulmonary neuroendocrine cell), antes chamada de célula de Kulchitsky, contém numerosos grânulos neurossecretores, e representa uma célula funcional rara, mas provavelmente importante, do epitélio das vias aéreas. Os grânulos neurossecretores das PNEC contêm serotonina e outros peptídios bioativos, como o peptídio liberador de gastrina (GRP, gastrin-releasing peptide). As PNECs são mais numerosas antes do nascimento e podem desempenhar algum papel no sistema imune inato.

A célula intermediária é colunar. Tem um citoplasma eletrolucente, mas não apresenta características especiais. É provável que essa célula se diferencie em outras.

A célula ciliada é a célula do epitélio respiratório que apresenta cílios. Cada cílio tem nove pares de axonemas e um axonema especial no centro. O arranjo está modificado na base e no ápice, onde se observa uma coroa de pequenos ganchos. A base do axonema está disposta de modo que o cílio se “conecta” com o citoplasma. Os axonemas fixam-se uns nos outros por meio de “braços” de dineína (uma proteína contrátil), que são os responsáveis pelo movimento ciliar.