Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório
Morbidade da intubação endotraqueal e da traqueostomia
Em alguns pacientes, válvulas de sentido único (Passy-Muir) oferecem a capacidade de falar e podem ser de grande conforto psicológico aos pacientes e às suas famílias.
Danos à traquea por tubos de traqueostomia podem ocorrer no topo do tubo, no estoma ou no nível do cuff inflável. A erosão pode ocorrer dentro do esôfago, particularmente se for necessário o uso prolongado de uma sonda nasogástrica, ou em um grande vaso, geralmente com resultados fatais.
Morbidade da intubação endotraqueal e da
traqueostomia
FIGURA 5-22
Os tubos nasotraqueais podem ser mais facilmente inseridos, menos facilmente desmontáveis e, às vezes, mais tolerados que o tubo orotraqueal. No entanto, podem causar necrose nasal e sinusite maxilar. A “inserção às cegas” pode resultar em trauma às pregas vocais, que pode ser minimizado pela visualização, como ocorre com a intubação oral. Tubos nasotraqueais apresentam um lúmen pequeno, o que torna a aspiração e o desmame da ventilação mecânica difíceis. Tubos orotraqueais são maiores e permitem a aspiração ou a broncoscopia com mais facilidade que os tubos nasotraqueais. No entanto, são menos confortáveis, desmontam com mais facilidade e podem ser dobrados ou danificados pelos dentes do paciente.
Complicações da intubação são causadas pelos efeitos farmacológicos e fisiológicos de medicamentos, bem como pela manipulação das vias aéreas superiores e por lesões mecânicas decorrentes do uso de laringoscópio, tubo endotraqueal ou estilete. As complicações mecânicas podem incluir um trauma orofaríngeo, nasal ou dental. Podem ocorrer também laringoespasmo, edema de laringe, aspiração do conteúdo gástrico e intubação do esôfago ou do brônquio principal direito. Além disso, a lesão traqueal, incluindo a ruptura pelo estilete, também pode ser observada e é tipicamente encontrada na junção da membrana posterior com a traqueia cartilaginosa.
Durante a ventilação mecânica, vários problemas podem ocorrer. A obstrução do tubo pode ser secundária às dobras, ao tampão mucoso, aos coágulos de sangue, derrapagem ou devido ao cuff superinflado sobre a extremidade do tubo. Vazamento do cuff causado por ruptura também pode ocorrer, resultando em diminuição da ventilação minuto e aspiração de secreções.
Uma complicação grave, tanto da traqueostomia como da intubação, é o desenvolvimento de uma fístula traqueoesofágica. Deve-se suspeitar de fístula quando houver vazamento de ar, aspiração de saliva ou de secreções, e observar quaisquer sinais de desconforto respiratório. O diagnóstico pode ser confirmado pela broncoscopia. A presença de sonda nasogástrica pode predispor à formação de fístula causada pela necrose por pressão entre a traqueia e o esôfago.
Embora ocorra em menos de 1% dos pacientes com tubos de traqueostomia, há incidência de fístula traqueoinominada, a qual, quando não tratada, está associada a 100% de mortalidade. A artéria braquiocefálica normalmente atravessa a traqueia nonível do nono anel traqueal, embora também possa fazê-lo entre o nono e o décimo terceiro anéis.