Coleção Netter de Ilustrações Médicas – Volume 3: Sistema Respiratório

Tumor e síndrome de pancoast

FIGURA 4-55

Tumores do sulco superior do pulmão estão localizados na região do ápice do sulco pleuropulmonar, adjacentes aos vasos subclávios. Os tumores do sulco superior do pulmão receberam notoriedade nos relatos de Henry Pancoast e comumente são chamados de Tumores de Pancoast. De longe, o câncer de pulmão é a causa mais comum dos tumores do sulco superior do pulmão e de Pancoast. São associados, com mais frequência, ao adenocarcinoma, mas podem ser causados por qualquer tipo histológico. Vários outros tumores ou doenças infecciosas podem, ocasionalmente, ser relatados como causadores de um tumor de Pancoast.

Tumores do sulco superior do pulmão podem causar dor no ombro e no braço (na distribuição dos dermatomos C8, T1 e T2), síndrome de Horner e fraqueza dos músculos da mão. Esse complexo é denominado síndrome de Pancoast. A dor no ombro é o sintoma geralmente presente, e é causada por invasão do tumor na parede torácica, primeira ou segunda costela, corpo vertebral e, possivelmente, plexo braquial. A dor pode disseminar-se para cabeça e pescoço ou axila e braço relacionado com o nervo ulnar. A causa dessa dor é frequentemente diagnosticada, de forma equivocada, como uma osteoartrite ou bursite do ombro. A síndrome de Horner consiste em ptose ipsilateral, miose, enoftalmia e anidrose de metade da face e da cabeça, sendo causada pelo envolvimento da cadeia simpática paravertebral e do gânglio cervical (estrelado) inferior. Sudorese facial contralateral e ruborização já foram relatadas.

O envolvimento das raízes nervosas de C8 e T1 pode resultar em fraqueza e atrofia dos músculos intrínsecos da cabeça ou dor e parestesia do quarto e do quinto dígitos e da face medial do braço e do antebraço. Sensação anormal ou dor na axila e face medial da região superior do braço causadas por envolvimento da raiz nervosa de T2 podem ser um sintoma precocemente observado. À medida que esses tumores vão progredindo, podem invadir os forames intervertebrais e causar compressão medular e paraplegia. Isso pode representar um problema para os pacientes com doença progressiva que não responderam ao tratamento local. Os tumores com envolvimento mediastínico podem resultar em paralisia do nervo frênico ou laríngeo.

O achado radiográfico clássico é a visualização de uma massa apical ou cápsula apical unilateral. Ocasionalmente, a anormalidade pode não ser óbvia à radiografia torácica. Portanto, caso exista uma suspeita diagnóstica, uma tomografia computadorizada (TC) pode ser necessária. A TC irá demonstrar maiores detalhes e terá mais probabilidade de elucidar a extensão local do tumor. O exame de ressonância magnética (RM) é melhor para demonstrar o envolvimento do plexo braquial e para se avaliar o canal medular no que diz respeito à extensão do tumor. Angiografia com RM tem maior capacidade de demonstrar o envolvimento dos vasos subclávios. A broncoscopia pode ser diagnóstica no caso de tumores grandes, porém a aspiração com agulha transtorácica é o método mais comum de diagnóstico desses tumores. Os testes de estadiamento geralmente utilizados incluem tomografia por emissão de pósitrons (PET-scan) e RM do cérebro devido à possibilidade de haver metástase cerebral.