Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Pediatria: Transtornos do Comportamento Disruptivo
Pediatria: Transtornos do Comportamento
Disruptivo
Transtornos do comportamento disruptivo (TCDs) são problemas de saúde
mental que ocorrem em crianças e adolescentes, mais comumente em
meninos, caracterizados por comportamento descontrolado. As taxas de
prevalência variam de 1% a 16%. Um conjunto de fatores, incluindo
características da criança, interações parentais e fatores ambientais
contribuem para o seu desenvolvimento.
Estratégias parentais ineficazes muitas vezes são a base desses
transtornos. Talvez os pais não tenham tempo e energia emocional
suficientes para o filho ou talvez usem métodos inconsistentes para
estabelecer disciplina e limites. Essas estratégias ineficazes incluem um
estilo parental autoritário, no qual os pais demonstram muita raiva ou são
duros demais, e um estilo parental permissivo, no qual os pais cedem às
exigências excessivas do filho. O estilo autoritativo de educar é definido
como níveis elevados de carinho e firmeza e é a estratégia parental mais
eficaz.
A criança com TCD pode ser teimosa em virtude de características de
personalidade herdadas geneticamente, algumas exposições intrauterinas
(como ao tabagismo), ausência de apego parental positivo, em virtude de
estresse, ou de uma ausência de estrutura previsível no ambiente doméstico
ou comunitário. Os transtornos do comportamento disruptivo são mais
comuns em famílias com conflitos conjugais graves, famílias de baixo
status socioeconômico e em vizinhanças caracterizadas por altas taxas de
criminalidade e desorganização social.
Transtorno Desafiador Opositivo
O transtorno desafiador opositivo é o menos grave. Ele é caracterizado por
um padrão recorrente de comportamento negativista, desafiador,
desobediente e hostil, como perturbar deliberadamente outras pessoas,
discussões frequentes e ataques de raiva direcionados a figuras de
autoridade como pais e professores. Para confirmar o diagnóstico, é preciso
que esses comportamentos sejam mais frequentes e mais graves do que a criança normal exibe, se apresentarem pelo menos há seis meses e
prejudicarem a função do jovem em casa, na escola ou com amigos.
O TCD mais grave – transtorno de conduta – é caracterizado por um
padrão persistente de um comportamento de graves violações a regras,
incluindo casos que prejudicam ou têm o potencial de prejudicar terceiros.
A agressão física a pessoas e animais, destruição de propriedade, mentira ou
roubo, fugir de casa e matar aula são exemplos típicos. Os meninos são
mais propensos a ter transtorno de conduta comparado ao transtorno
desafiador opositivo. Em vez de agressão física, as meninas são mais
propensas a usar insultos verbais, ostracismo ou difamação de caráter. Para
confirmar o diagnóstico, é preciso que TCDs estejam presentes por pelo
menos um ano, prejudiquem o funcionamento do jovem em casa, na escola
e/ou com amigos.
Diagnóstico
Os TCDs são diagnosticados mais corretamente por psiquiatras infantis e de
adolescentes, psicólogos infantis, assistentes sociais treinados em
atendimento infantil e enfermeiros clínicos especializados. A avaliação
requer informações de múltiplos indivíduos que conheçam a criança. O
diagnóstico se baseia em achados de entrevistas e um exame do estado
mental. Não há estudos de imageamento diagnóstico específicos, nem
exames de sangue ou outros exames médicos que sejam diagnósticos.
Tratamento
A melhor terapia para o transtorno desafiador oposicional é ajudar os pais a
aprenderem estratégias parentais eficazes. As metas de tratamento incluem
ajudar os jovens a se tornarem mais cooperativos e menos combativos ou
destrutivos. É muito útil enfatizar os pontos fortes da criança e da família e
partir deles além de enfatizar seus problemas. Estratégias de modificação do
comportamento incluem desenvolver uma relação próxima e carinhosa
entre pais e filho; promover um ambiente estruturado e previsível;
estabelecer regras domésticas simples e claras; elogiar e recompensar
consistentemente comportamentos positivos (como concluir tarefas ou o
dever de casa); ignorar de maneira consistente comportamentos inoportunos
(como manhas ou discussões), seguido de elogio quando tal comportamento cessa; e descrever de maneira consistente as consequências potenciais
(como a perda de privilégios) por comportamentos perigosos ou destrutivos.
O treinamento em habilidades socioemocionais ajuda a criança a
desenvolver habilidades para identificar e controlar os sentimentos, para
conviver com os outros e para tomar decisões positivas com base na razão
em vez de no sentimento.
Na medida em que o transtorno de conduta é uma condição
extremamente grave, o tratamento deve ser mais intensivo e extenso, às
vezes envolvendo outras instituições de assistência infantil (p. ex., juizado
de menores, conselho tutelar e bem-estar infantil). É provável que o
tratamento seja mais efetivo quando administrado precocemente no curso
do transtorno antes de o comportamento mal-adaptativo se tornar mais
arraigado. Se o comportamento fisicamente agressivo for proeminente no
transtorno de conduta, medicações (incluindo antipsicóticos atípicos)
podem ser úteis.
Curso
O transtorno desafiador oposicional e, em menor extensão, o transtorno de
conduta respondem bem aos tratamentos mencionados anteriormente
quando feitos por profissionais de saúde mental qualificados. Embora
algumas crianças superem os TCDs com o tempo, esses transtornos, se não
tratados, podem evoluir e causar problemas significantes, incluindo
dificuldades de relacionamento com os pais e outros adultos, insucesso
acadêmico e delinquência e, na idade adulta, comportamento antissocial ou
criminoso.
FIGURA 4-28