Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Danos Hipóxico-hisquêmicos Encefálicos

FIGURA 6-6

 

Danos Hipóxico-hisquêmicos Encefálicos Em âmbito nacional, paradas cardíacas fora do hospital são de ocorrência

muito frequente. Um quarto dos indivíduos que manifestam tais paradas

recebe ressuscitação cardiopulmonar de emergência. Entretanto, menos de

20% desses eventos levam à sobrevivência na alta hospitalar, mesmo com a

combinação de esforços de emergência e serviços de atendimento hospitalar

crítico. Daqueles que realmente sobreviverem, muitos apresentam lesões

neurológicas profundas e incapacidade.

 

Encefalopatia Hipóxica-Isquêmica

Encefalopatia hipóxica-isquêmica é o termo usado para descrever tal lesão

após parada cardíaca ou hipóxia grave causando lesões globais, ou

hipotensão prolongada causando lesão da zona limite arterial. Muitas

variáveis determinam a extensão e localização da lesão: a plenitude do

colapso circulatório (parada cardíaca completa ou hipotensão, com algumas

ejeções cardíacas preservadas), a duração do comprometimento circulatório,

acompanhado de falência circulatória, e o nível de glicose no sangue no

momento do evento. Apneia ou hipóxia (como na intoxicação por monóxido

de carbono ou estrangulamento) com função circulatória preservada,

geralmente causa necroses palidal e talâmica, com preservação do córtex

encefálico. Hipertensão persistente causa lesões isquêmicas na zona limite

arterial, nas margens dos territórios arteriais encefálicas anterior e médio, e

territórios arteriais encefálicos posterior e médio.

Parada cardíaca pode causar dano hipocampal, lesão dos núcleos da

base, necrose da lâmina média do córtex encefálico, e lesões dos núcleos

cerebelares e do tronco encefálico. A ordem nessa região do encéfalo

também representa a hierarquia da lesão. A região mais vulnerável à

isquemia cerebral leve é o hipocampo, e a frase frequentemente usada para

descrever esse fenômeno é vulnerabilidade regional do hipocampo. A

isquemia da zona limite arterial resulta em fraqueza nos braços,

incoordenação durante comportamento dirigido visualmente, e diminuição

da percepção visual e espacial. Em crianças, hipotensão grave pode levar a

lesões mais extensas, com diminuição grave do desenvolvimento motor e

funções. Perda das células de Purkinje no cerebelo causa ataxia e

mioclonia de ação.

 

Tratamento da Hipotermia Muitos tratamentos medicamentosos e anestésicos têm sido testados na

parada cardíaca. A ideia tem sido usar agentes que reduzam o metabolismo

encefálico ou limitem os eventos da cascata celular que levam à morte

neural. Atualmente, nenhuma terapia com fármacos demonstrou benefícios

clínicos significativos. O único tratamento que tem demonstrado melhorar a

probabilidade de um bom resultado em adultos após fibrilação ventricular

ou parada cardíaca taquicárdica ventricular sem pulso, ou em bebês com

asfixia ao nascimento, é o tratamento médico com a indução de hipotermia

moderada para atingir uma temperatura corporal média de 32 °C a 34 °C.

Em crianças, o resfriamento isolado do coração após a asfixia ao

nascimento também atinge um efeito terapêutico desejado.

FIGURA 6-7