Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Síndromes Epilépticas

FIGURA 3-5

 

Síndromes Epilépticas Uma vez que o tipo de crise tenha sido identificado, é muito útil para o

clínico tentar a determinação da síndrome epiléptica. Uma síndrome

epiléptica é um agrupamento de características eletroencefalográficas e

clínicas, que ocorre de forma conjunta mais comumente do que por

casualidade. A identificação da síndrome epiléptica auxilia na determinação

da etiologia e proporciona ao clínico uma orientação referente ao

prognóstico de longo prazo.

Um exemplo de uma síndrome epiléptica com crises generalizadas é a

epilepsia mioclônica juvenil (EMJ). Os tipos de crises são tônico-clônicas

generalizadas, ausência, ou mioclônicas, que ocorrem com frequência

quando o paciente desperta do sono. As crises iniciam-se na adolescência

ou no início da idade adulta, de forma diferente em indivíduos saudáveis. O

EEG interictal revela a atividade pico-onda em uma frequência de 3,5 a 6,0

Hz, enquanto a neuroimagem estiver normal. Embora as crises sejam

controladas normalmente com fármacos antiepilépticos, essa condição

permanece por toda a vida. A mutação de um único gene não foi

identificada, e muitos investigadores consideram a probabilidade dessa

condição envolver genes múltiplos. Uma vez diagnosticado com EMJ, o

paciente pode receber as informações específicas relativas ao prognóstico e

tratamento.

A epilepsia rolândica benigna, também denominada epilepsia benigna da

infância com picos temporais e centrais, é um distúrbio genético limitado às

crianças, caracterizado por crises noturnas generalizadas com provável

início focal, e crises parciais simples diurnas surgindo da área rolândica

inferior e com um padrão de EEG consistindo de focos de picos médios

temporais e centrais. As particularidades características das crises diurnas

incluem: (1) estimulação somatossensitiva da cavidade oral, (2) interrupção

da fala, (3) preservação da consciência, (4) sialorreia e (5) atividade tônica

ou tônico-clônica da face. Com menor frequência, a percepção

somatossensitiva se propaga para a face ou braço. A maioria dos ataques

envolve a face, e a interrupção da fala pode iniciar o ataque ou ocorrer

durante o mesmo. A consciência raramente é prejudicada durante os ataques

diurnos, apesar de que, devido ao envolvimento motor, a criança não possa

falar. Muitas vezes os gestos da criança indicarão aos pais que a criança está

totalmente desperta durante o evento. A anormalidade característica do

EEG interictal é um pico de alta amplitude, geralmente difásico, com uma proeminência após uma onda lenta. Os picos ou ondas pontiagudas

aparecem isoladamente ou em grupos na região média temporal e central

(rolândica) (C3, C4).

Espasmos infantis são episódios breves de movimentos flexores tônicos

ou extensores, ou ambos, do corpo e membros. Esses espasmos são

observados em bebês e crianças de até 4 anos de idade, e geralmente

resultam de uma perturbação encefálica grave, no nascimento ou logo após

esse evento, ou de um evento agressivo ou processo de doença ocorrido nos

primeiros meses até 1 ano após o nascimento. Um dos tipos mais comuns

de espasmo infantil é caracterizado pela flexão para a frente da cabeça e do

corpo, com os braços se agitando para a frente ou para fora. O EEG nos

espasmos infantis evidencia um padrão característico denominado de

hipsarritmia, consistindo de picos multifocais de alta amplitude e ondas

lentas. Durante o espasmo, o EEG demonstra um decréscimo abrupto

generalizado na amplitude da atividade em andamento.

Os espasmos infantis são tratados muitas vezes com hormônio

adrenocorticotrópico ou corticosteroides. O clonazepam tem sido usado

ocasionalmente, e em algumas condições refratárias, uma dieta cetogênica

pode ser útil no controle das crises.