Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Efeitos de Lesões de Massa da Hipófise no Aparelho Visual
Efeitos de Lesões de Massa da Hipófise no
Aparelho Visual
A estreita relação anatômica entre a hipófise a o aparelho óptico,
especialmente o quiasma óptico, mas também os nervos ópticos pré-
quiasmáticos e os tratos ópticos pós-quiasmáticos contam com a ocorrência
frequente de déficits visuais em pacientes com grandes lesões de massa da
hipófise estendendo-se superiormente. No quiasma óptico, axônios das
células ganglionares da retina, que se originam na porção nasal de cada
retina, atravessam para o lado contralateral. Em contrates, fibras nervosas
da porção temporal da retina, permanecem do lado ipsilateral, passando ao
lado do quiasma, para formar cada trato óptico, acompanhados por fibras
nervosas que atravessam a porção nasal da retina contralateral.
Uma variedade de lesões de massa pode surgir na sela. Além dos
adenomas benignos hipofisários, que contam com aproximadamente 90%
das lesões de massa em cirurgias, existe um grande número de leões de
massa patológicas na sela. Isso inclui neoplasias benignas
(craniofaringioma, meningioma) e malignas (condrossarcoma, linfoma,
metástases ou os raríssimos carcinomas primários da hipófise), lesões
císticas (cistos da fenda de Rathke; cistos aracnoide, dermoide e
epidermoide), patologias vasculares (aneurismas, malformações
arteriovasculares), lesões inflamatórias ou hiperplasia hipofisária.
Lesões de massa estendem-se superiormente à sela frequentemente
atingindo o quiasma óptico, que geralmente está localizado diretamente
acima do diafragma selar (em aproximadamente 90% dos indivíduos).
Anormalidade precoce ocorre como resultado de neuropatia óptica, que
pode ser documentada usando um teste de mapeamento-padrão Ishihara,
assim como uma perda variável do campo visual periférico (temporal).
Entre esses pacientes com lesões de massa que crescem da sela, perde-se
primeiro a visão em um ou ambos os quadrantes temporais. Em contraste,
lesões de massa surgindo da base do hipotálamo, que comprime o quiasma
óptico de cima, podem levar à perda precoce da visão no quadrante
temporal inferior.
Compressão dos nervos do quiasma óptico pode levar a uma neuropatia
ipsilateral óptica, dando origem ao escotoma central. Lesões que comprimem a porção anterior do quiasma de um lado podem originar a
neuropatia ipsilateral óptica (escotoma central) e perda da visão periférica
no quadrante contralateral temporal superior, uma constelação chamada
“escotoma juncional”. Lesões localizadas posteriormente podem atingir
um dos tratos ópticos, levando a hemianopsia homônima contralateral.
Testes preliminares do campo visual podem ser conduzidos usando um
teste comparativo, porém avaliação definitiva da visão periférica necessita
perimetria formal, usando métodos automáticos (Humphrey) ou manuais
(Goldmann). Atrofia óptica primária está presente em casos de compressão
prolongada de fibras nervosas. Papiledema pode ocorrer raramente em
paciente com grandes tumores estendendo-se em direção ao terceiro
ventrículo, causando hidrocefalia obstrutiva. A consulta a um neuro-
oftalmologista experiente é indicada para pacientes com lesões de massa
confinando ou comprimindo o aparelho óptico. Recuperação da função
visual ocorre com o alívio da compressão no aparelho visual na maioria dos
pacientes (aproximadamente 70% a 75% dos casos). Entretanto, a
probabilidade e extensão da recuperação visual são geralmente maiores com
a curta duração da compressão da fibra nervosa. Esse diagnóstico precoce e
a rápida descompressão (geralmente via cirurgia, mas também pela terapia
medicamentosa em pacientes com adenoma secretor de prolactina) são
muito importantes para otimizar o resultado visual desses pacientes.
FIGURA 5-29